Anóthem - Capítulo I

o princípio havia o Uno, o Único e Todo Poderoso. Uno forjou todo o universo, com suas galáxias e sistemas cósmicos, e dentre eles, existia um de aspecto singular e uma essência especial: Órbys Órium. Neste erguia-se o Sol, uma estrela cercada por oito planetas de majestosas concepções, denominados, respectivamente e em ordem do mais próximo à estrela até o mais distante, como: Estephana, NikanoriaArlathil, Prokora, Varsavá, Simascoten, Matakriva, e Obliviana, formados pelas mãos do Uno.

    Na vastidão de Arlathil, o planeta escolhido por Uno, não existia nada além de um imenso oceano, profundo e silencioso. Contudo, tudo mudou quando Uno concebeu o seu primeiro continente, Édonen, “O Coração da Primavera”, que emergia com esplendor ao noroeste de Arlathil. Ali, encantadores bosques, campinas floridas, exuberantes jardins e extensas florestas verdejantes se faziam presente, onde uma miríade de animais, de toda espécie, encontrava abrigo e sustento. E foi neste solo que Uno, durante o primeiro alinhamento planetário de Órbys Órium — intitulado ulteriormente como Panteclipse —, criou a sua Potestade primogênita, incumbida de zelar pela terra e pelos frutos que dela emanavam, conferindo-lhe a função de guardiã da vida que brotaria.

    As Potestades são divinas criaturas, místicas e de indômita estirpe, cada qual simbolizando a forma de um animal de majestoso porte, e dotadas de um único ou um conjunto de poderes extranaturais, representando a grandeza de um ou mais dos seis primordiais elementos da natureza: Dókar, o ígneo e enérgico Fogo; Okráz, a límpida e fluídica Água; Hantsá, o etéreo e sutil Ar; Sátshi, a plácida e fecunda Terra; Myótri, a Fauna plena de vida e esplendor; e Edarók, a virente e harmoniosa Flora.

    Do sublime momento do alinhamento emanou uma lei natural, indelével e imutável, que determinaria os ritmos do poder destas entidades até o fim dos tempos, a menos que o próprio Uno decidisse revogá-la. Assim, a cada novo alinhamento planetário, todos os poderes e habilidades das Potestades atingiriam seu ápice em um só e único dia, tal como uma aurora de supremacia. Nos dias ou semanas que precediam o fenômeno, tais dons divinos cresciam gradualmente, como se a própria natureza se preparasse para um clímax de perfeição, culminando na totalidade de suas capacidades durante o alinhamento. Após esse ápice, os poderes retornariam ao seu estado habitual, mantendo-se ainda extraordinários, porém em sua medida ordinária.

    Mesmo nesses períodos de ascensão e declínio, os dons das Potestades poderiam ser utilizados no desenvolvimento da natureza de Arlathil, modelando toda a fauna e a flora com maestria e harmonia, perpetuando o plano do Uno e assegurando que cada canto do mundo florescesse sob a orientação de seus guardiões celestiais.

Anóthem - Capítulo II

    Uno, Supremo Criador, pelo seu lavor forjou à luz dos astros, dando forma a seu brilho, os excelsos Elfos, altos seres com pontiagudas orelhas, de belas aparências, de deslumbrante sabedoria, e longínqua vida. Além disso, possuem sua língua própria, o Elvic, um intrincado idioma que é testemunha da riqueza de sua cultura e da profundidade de sua existência.

    As Potestades Celestiais, em sua insondável benevolência, outorgaram aos Elfos os dons dos seis primordiais elementos, embora não para subjugar a natureza, mas sim para servir como seus fiéis e zelosos mantenedores. Como guardiães das raízes da criação, esses Elfos foram distribuídos pelos seis continentes, onde se harmonizaram com os terrenos e climas locais; entretanto, Édonen, permaneceu isento da presença dos Elfos, resguardado por divinos desígnios para um propósito maior.

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