Na vastidão de Arlathil, o planeta escolhido por Uno, não existia nada além de um imenso oceano, profundo e silencioso. Contudo, tudo mudou quando Uno concebeu o seu primeiro continente, Édonen, “O Coração da Primavera”, que emergia com esplendor ao noroeste de Arlathil. Ali, encantadores bosques, campinas floridas, exuberantes jardins e extensas florestas verdejantes se faziam presente, onde uma miríade de animais, de toda espécie, encontrava abrigo e sustento. E foi neste solo que Uno, durante o primeiro alinhamento planetário de Órbys Órium — intitulado ulteriormente como Panteclipse —, criou a sua Potestade primogênita, incumbida de zelar pela terra e pelos frutos que dela emanavam, conferindo-lhe a função de guardiã da vida que brotaria.
As Potestades são divinas criaturas, místicas e de indômita estirpe, cada qual simbolizando a forma de um animal de majestoso porte, e dotadas de um único ou um conjunto de poderes extranaturais, representando a grandeza de um ou mais dos seis primordiais elementos da natureza: Dókar, o ígneo e enérgico Fogo; Okráz, a límpida e fluídica Água; Hantsá, o etéreo e sutil Ar; Sátshi, a plácida e fecunda Terra; Myótri, a Fauna plena de vida e esplendor; e Edarók, a virente e harmoniosa Flora.
Do sublime momento do alinhamento emanou uma lei natural, indelével e imutável, que determinaria os ritmos do poder destas entidades até o fim dos tempos, a menos que o próprio Uno decidisse revogá-la. Assim, a cada novo alinhamento planetário, todos os poderes e habilidades das Potestades atingiriam seu ápice em um só e único dia, tal como uma aurora de supremacia. Nos dias ou semanas que precediam o fenômeno, tais dons divinos cresciam gradualmente, como se a própria natureza se preparasse para um clímax de perfeição, culminando na totalidade de suas capacidades durante o alinhamento. Após esse ápice, os poderes retornariam ao seu estado habitual, mantendo-se ainda extraordinários, porém em sua medida ordinária.
Mesmo nesses períodos de ascensão e declínio, os dons das Potestades poderiam ser utilizados no desenvolvimento da natureza de Arlathil, modelando toda a fauna e a flora com maestria e harmonia, perpetuando o plano do Uno e assegurando que cada canto do mundo florescesse sob a orientação de seus guardiões celestiais.

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