Prophetheia - Capitulo XXI

 Dada a concessão de iniciar o Sodalício, Malak foi designado para redigir o édito, qual fora copiado e passado a prego por Farkas, que não somente espalhou pela cidadela de Arkoudarium, como entregou a peregrinos e viajantes, fazendo testemunho por todo reino. Assim dizia o escrito:

"Ata de convocação sob o selo da corte.

No intuito te servir a esta causa, a corte real julgou por necessário instaurar esta convocação, sob o propósito de reunir para o exercício deste serviço todos os que tomam-se por aptos a empreita. 

Habilidade necessárias e requeridas: 

  • Arte na Guerra (Cooperação, submissão a autoridade, lealdade e disposição sacrificial a ordem);
  • Arte na Exploração (Sob a sombra das trevas, terras selváticas ou da carestia);
Considerações:
  • Não há salvo-conduto caso incorra a sentença de outro império;
  • Não há recursos para resgate caso incorra cativeiro;

Interessados tratar com Leonadair, Farkas, Malak ou Lydia no portão da praça sul de Arkoudarium." 

O dia era chuvoso, mas a garoa era fina e desprovida de vento, o mundo era gris. Malak, Lydia, Farkas e Leonadair estudavam um mapa de Skógur Kliringo sob uma tenda no paço do portão, quando este se abriu, e dele então apareceu, uma mulher jovial de cabelos rúbeos, sobre um cavalo alto tão escuro quanto as trevas, ao lado desta, via-se caminhar um homem aparente, meia-idade, com trajes muito semelhante a de caçadores, capuz, capa e cintos de couro. Ambos estavam fartamente armados.

Não houve entre os circundantes quem não os fitasse e esses não deixaram de notar que descansava em seus aspectos e semblantes algo que inspiravam a aventura destemida. Quando os olhos de ambos encontraram os de Leonadair, descobriram no mesmo instante com quem tratar.

Vieram até a tenda, estavam serenos, mas faiscavam urgência em seus olhos. A rúbia deu som a voz: "Alguns homens nos informaram da empreita, queremos nos juntar a vós" - Leonadair sorriu e perpassou o olhar no caçador, que notando-o, mesurou, o que o capitão respondeu assentindo. Após todos tomarem sentido da inércia do então escrevente Malak, o encararam, este, demonstrava-se fito na jovial figura feminina, evidentemente absorto em sua admiração. Farkas o cutucou, tomando vulto o susto, despertou o boquiaberto apaixonado. Em seguida, Malak desadormecido como de um sonho, afoito empunhou o calámo e inquiriu atordoado: "Ah sim! Muito bem... pois sim... bem, quero dizer! nomes e procedência? por favor?!"

"Sou Nyah! Errante até a redenção de minha terra ao sul!" -  o outro caçador, enfim falou: "Sou Daehrown - no momento em que se deu ouvir sua voz, Killium que estava ao lado de Leonadair, rosnou agressivamente para o homem, este, por sua vez, não deixou-se intimidar e continuou: "Será sob toda boa vontade, nosso préstimo ao vosso serviço!" Malak, após averiguar Killium, esquadrinhou inquisitivo o homem, e continuou afetado e menos sereno: "Senhor, procedência?!"

"Sou de uma terra - respondia Daehrown sob tom sombrio - que agora jaz na penumbra, sou de uma raça que agora ecoa a memória - enquanto dizia, Killium minguava trêmulo, mais ainda detinha olhar feroz sobre o homem, como resistindo pelo ódio o assalto do medo - aqui estou, antes do primeiro broto irromper, e antes da primeira folha cair! - Malak se levantou célere, não deixando de recordar as mesmas palavras que outrora foram ouvidas de Akrivel, mas o homem continuava, e algo infligia a todos o dever de não interrompê-lo - Sou amigo dos filhos da luz, e prole dos cativos da treva!" Neste instante Killium saltou sobre este, e num lapso, antes que suas garras tocassem seu alvo, o homem desvencilhou do bote transfigurando-se em um lince negro, aterrador, cujo reflexo além do acompanhável, tornou vã a investida de Killium, ambos encaravam-se a rosnados graves. Mas Killium não pôde resisti-lo, e arredou a guarda e quando o lince tornou-se homem a vapor de sombras, qual ofegante, tinha desembainhada e empunhada os sabres contra o felino. Leonadair que assistia com Akimirus em punho, irrompeu imperativo: "Killium! Para os campos!" Este de pronto acatou a ordem e partiu as pressas. Malak, ao lado de todos que ainda retomavam o fôlego do espanto, continuou assentando: "O que tens a ver com o velho Akrivel?"

Daehrown, suspirando profundamente enquanto se recobrava, disse: "Fui do mestre um discípulo quando ainda refugia o brilho da glória em cada aurora de Arkinarium. Fui do sábio um aprendiz quando a terra germinava aquilo qual a fronde estenderia sua sombra por todo sul. Sou de Akrivel, um amigo, enquanto houver luz e trevas sob o céu."

Todos os que o ouviram, não foram impassíveis, Farkas fitou Malak e o inquiriu: "O que viste neste caçador para que de pronto o descobrisse seu envolvimento com velho?" No que Malak respondeu: "Ele disse o que ouvi de Akrivel na primeira vez que o vi. Foi sob este mesmo teor que se apresentou a mim."

Leonadair embainhando sua espada, dirigia palavra a Daehrown: "Uma vez sendo amigo, tens notícias do velho?" Daehrown, meneando a cabeça baixa e pensativo respondeu: "Não o vejo desde a batalha que protagonizastes" Todos em uníssono abateram o lampejo de esperança do que expectaram. E após breve silêncio. Assentiram ao voto de lealdade no sodalício cumprimentando-se e agradecendo-lhes.

Ali ficaram alguns dias, mas ninguém mais compareceu para inscreverem-se a outorga, antes, meneavam as cabeças, dado fato que ninguém que os viras velavam, dizendo: "Não há esperança para os de desertores de Aquilarium" outros mais rudes consideravam: "A morte deve ser a única paga que esses infames desertores dignificam-se a receber" outros ainda quando não zombavam, se queixavam do sodalício dizendo: "Tão hábeis guerreiros se escusando da guerra sob este pretexto, deveriam se envergonhar!"

O Sodalício, tomando o tempo por antagônico e reconhecendo a má vontade do restante nesta causa, puseram fim a chamada e selaram os cavalos, a princípio, quiseram visitar os amigos feridos em Fidirium, o que Daehrown e Nyah consentiram comiserando-os. Com o auxílio da ciência neste assunto dos dois novos integrantes, os quais, atualizavam-nos com os informes e ponderavam entre os entremeados caminhos, considerando o potencial risco da presença do inimigo em cada um. Desta sorte, o Sodalício traçou a rota mais eficiente para empreita.

Após Fidirium, fora decidido que optariam a banda leste de Corliek, margeando Severní Lych até adentrarem as sombras de Skógur Kliringo, ali, acompanhariam o Liek Shnel para o sul até Sankhrety Lych, de onde avançariam a oeste até o pé do golfo Ahnvae Alus em Detser Hakmir. 

Alguns proporiam fluir sobre Liek Niktus ou Harzanit após Lesy Kevad, mas a contra arguição nisso era o estranho e atípico fenômeno nas águas do mar, as quais estavam tão revoltas naqueles dias que carracas não garantiam bom governo. E a ideia de seguir sob as sombras da floresta e não em rio. Era a de velarem-se da vista de espiões alados.

Nenhum deles apontaram atalhar por Vuds Lykainen, pois é sabido entre todo ser dotado de mínima razão que a morte era antes preferível à de tomar aquele caminho. Ali, parecia habitar uma força além de uma natureza concebível, verdade de senso comum, que não permitiu ser cogitada.

Ponto início ao curso, visitaram os amigos em Fidirium, alguns já se encontravam saindo da botica, outros convalescia com dificuldade e ainda havia, aqueles que a estado terminal encerravam-se no leito. Destes, Arketon, jazia a penumbra da desesperança, muitos druidas rogavam por ele. 

Havia um costume, de fim sanatório entre eles, que consistia em assoprar as pedras dos cajados com uma das palmas segurando o cimo, como se o sopro na pedra esquentasse a mão, a qual era descansada na fronte do enfermo, porém, a eficácia deste feito era condicionada ao amor do curador pelo curado. Quanto mais intenso e recíproco o era, maior eficiência do milagre.

Além de instigante isso admirar, foi em suma, surpreendente, pois houve de reservar uma ala inteira da botica para Arketon, uma vez que uma multidão de magos por ele choravam e assopravam os cajados. Leonadair, compadecido com a cena que testemunhava considerou aos amigos: 

"Mesmo que eu nada soubesse deste mago, presencio tanta manifestação de afeto depositada nele pelos seus, que seria o suficiente para me persuadir, como agora estou convencido, a admirá-lo profundamente!" Daehrown assentindo completou: "Alguém que se dignificou ser tão amado, é deveras por amar até quem não era digno!"

Farkas deitava as lágrimas enquanto Lydia abraçava-o e Malak chutava cabisbaixo os pedregulhos. Nyah fitava o sul. Dali saíram com uma mixórdia de sentimentos, com respeito a alguns, lívidos de animo pela recuperação, com relação a outros, no mesmo tempo, encontravam-se transtornos de abatimento, desejando o que estava além do alcance de auferir. Neste estado fora, que deram continuidade a rota sugerida, rumo ao Sul.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

~ Esta obra se encontra em desenvolvimento, assim sendo, é de prezada valia a opinião dos leitores. Colheremos todas as críticas, desde que tais sejam construtivas, no intuito de proporcionar melhor experiência de leitura. ~

Voltar ao Topo da Página