O Manthorn, com mesura respondeu: “Somos servidores dos servos e servos do Uno, somos aqueles segundo a sã verdade e eu sou Muz’Yudah, o alto legislador dos tempos antigos.”
O Nerianor, mesurou apenas com a cabeça e continuou: “Somos os principais dentre os vocacionados na arte do saber, somos a expressão da sacra ciência, e eu sou Vyn’Lamad, sumo sacerdote da raça antiga.”
E por fim, a terceira figura, o Berggeist, pôs a dizer: “Somos os eleitos para oficio da libertação, e eu sou Sakal’Yarah, o príncipe dos espíritos das magnas montanhas; aqui e agora, vosso anfitrião” – E enfim mesurou.
Akrivel, curvou-se no mesmo instante e com a fronte em solo frio, clamou:
“Sob vosso nome assina a preeminência, os distintos das raças extintas, diademas das antigas lendas, vós sois os mitos de outrora! Quem sou? Oh anjos do saber! Muito li sobre vós e de vossas próprias penas, Oh Uno! A que mérito há em mim para gozar a graça de pôr-me frente aos teus portentos!”
“Devia saber!” – Respondeu Vyn’Lamad – “Por nenhum mérito alcançamos favor algum do Uno, antes, por graça o aprouve eleger segundo sua misericórdia, sem mérito exigir.”
“Mas a esta pergunta, intento responder pelo que podemos inferir.” – Tomou a palavra Muz’Yudah – “Creio, que fomos preservados da sepultura por razão deste momento, e que noto eu, se dá nossa reunião em além tempo e espaço, sob único fim e proposito de dar a ti testemunho de vossa outorga.”
“Sim, assim o é!” – Retomou Vyn’Lamad – “O clamor da vossa raça subiu ao trono do Uno, e ele atentou teus ouvidos e estendeu seu favor, e hoje sob autoridade da Lei, na expressão de Muz’Yudah, e sob autoridade profética na minha expressão, testificamos tua comissão desde agora.”
Sakal’Yarah postando-se as costas, fitava imerso a imensidão do mar de nuvens, e continuou meditativo:
“Quem sois Akrivel? És tu como nós, escolhido pela presciência do Soberano para levar a cabo a consumação de seu socorro aos homens, sim! O Uno nos reuniu, tão somente para testemunhar sua vocação, portanto, cinge-te e guia-te pela sabedoria!” – E então, se virando aproximou-se se fazendo espectro e em seguida transfigurando-se em corpo tangível frente a Akrivel, continuou:
“Damos-te aquilo que nos foi outorgado oferecer-te, nosso conselho, seja tua ciência o caminho de todos; dos bons para espelhar-te e dos maus para retrair-te; dos acertos para preservar-te e das falhas para corrigir-te; da fortuna para edificar-te e da adversidade para manifestar-te.”
Vyn’Lamad tomou a palavra: “Labuta e labor saciara a sede com seu sangue, mas atenha-se a promessa e mantenha viva a esperança, que dentre os homens não há de esvair, porém, advertido serás! Cuida-se e sê vigilante, o mal está a porta, e aguarda a ti temeroso, use isso a teu favor!”
Muz’Yudah continou: “Akrivel, meu cajado que a ti te serve, é chave da Hitsá de Vyn’Lamad para navegares pelos cantos da terra, vale-se disto a teu propósito!”
Sakal’Yarah retomou: “Tempos de paz são dados aos homens a fim de prepará-los para os tempos de guerra, e isto fora dado a teu serviço, eis que ouço Akrivel, revela-te! Pois a trompa soa agora!”
E enfim, do céu ouviu-se a sobre-excelsa voz: “Akrivel, Sakriven Imastun, é chegada a hora!”
“Ora Ora! Eis ai Akrivel! O príncipe da casa Arcana, o Kirion de Arkin, amado dos desprezíveis, cão dos sábios e desertor... agraciado pela tua visita, amigo, como vais?” – Disse, estampando um sorriso jocoso.
“Lisonjeado Kahi, confesso que não aguardava tal calorosa recepção; quanto a mim e como vou? Digo que estou em lamento e condoído pela condição de tua alma” – Respondeu brandamente Akrivel.
“Contigo tuas condolências; e não ouse olhar para mim!” – Akrivel sorriu e baixou a cabeça e Apolium continuou:
“Vem render-se? Bom, tu sabes que pouco me importo com miseráveis; mas agora que sou rei, demonstrarei uma virtude que seus tolos não demonstraram para com os meus; a benevolência, e pela minha misericórdia ofereço a ti uma cadeira aqui em Mubatur para ao nosso lado tu reinares; veja ao derredor pequeno mestre, todos os nossos estão aqui, de Arcana e Mística, menos tu e Lufus, o qual, tolamente se compadeceu dos homens, e acabou por receber o preço que convinha seu erro, a morte sem-retorno... aprenda com este, e não incorra a uma escolha tão medíocre! Aceite e será aceito, venha e será perdoado sua estúpida decisão de outrora, quando optou pelo seu ingrato fanatismo; não será lembrado essa falha, antes, um cetro sua mão empunhará, e então viverá! Como nós vivemos, veja e contemple, a morte não nos venceu!” – E ao isto concluir, perdeu-se em repugnáveis risos de sórdida malicia.
“Louvada virtude de fato seria se não viesse de ti. Quanto ao seu rancor, entenda Kahi! Seu pai atou a si um fim segundo a medida de seus próprios atos e não se engane, mesmo que ame ser enganado. Ouça... vós não viveis, não! A morte o encontrou muito antes de seu último fôlego, vós apenas existem, são carnes sem calor, corpos sem alma, corações sem amor e nada mais. Sim... eu venho, não para me render, mas para pedir-te em nome de nossa antiga amizade, que abandone o intento do ataque e demonstre assim sua benevolência! Caso contrário, o preço a ser pago será uma eternidade em punição... o que não quero para ti.”
“Cuida-te de tuas palavras verme! Não vês que tenho tua vida em minhas mãos?” – Bradou Apolium possesso de ódio.
“Não terias se do alto não lhe fosse concedido.” – Respondeu serenamente Akrivel.
“Tu e tuas fábulas...” – Replicou Apolium, e continuou: “Julguei que aceitaria a oferta, pois imaginei que ainda havia sabedoria em ti, mas me enganei! Já que não viverás para me servir... não servirás para viver.” – Olhando para os arautos, ordenou: “Matem-no.”
Quando a meia dúzia de Bruxos e Lichs deram o primeiro passo, todos se desfizeram como pó de cinzas no mesmo instante. Akrivel lentamente elevou a cabeça e penetrou com olhar aterrador os olhos de Apolium, que amedrontado recuava com receio, sem deixar de fitar o rosto do velho.
“Tu sabes Kahi, que pela fé no Uno não posso matar, mas deixastes de perceber que não é imputado o homicídio quando encerra algo desprovido de vida. E já que recusaste a petição, agora venho a ti a fim de advertires que tens UM dia, para recuar suas tropas... morte breve a ti Kahi! Até mais ver.”
Apolium se pôs em postura, estendeu a destra e de pronto um cajado foi empunhado, e de aspecto grave desafiou: “Mostre-me do que é capaz!”
Antes que terminasse, um relapso de esplendor emanou de Akrivel e todos não podia resistir, a intensa luz que em breve exauriu decompôs todos os cajados de necromancia e aniquilou todos os súditos Desmortos que se encontravam naquele palácio, e o fulguroso brilho atordoou-os e manifestou a surpresa: Akrivel não se encontrava mais presente. Apolium, bradou irado.
O Sol, naquele dia, se escondeu atrás de nuvens negras, e toda Mubatur apavorou-se com os relatos que correram a toda pressa.



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