Creio que tais obras não nos
devem servir como escape em nossa fuga de um mundo abominável, antes, porém,
deve ser o meio de expressão ou modo de exprimir o que há de inescrutável no
amago de nossa mente, e disto ou por isto, tornar-se fonte de inspiração para a
mudança deste mundo. Literaturas desta natureza, creio eu, tendem a adornar
nossa cultura, uma vez que, mesmo não sendo de suma urgente, realça o atributo
latente, agregando o valor da beleza, virtude enfim emergente em um mundo tão
caótico.
Para
meu fim - que caracterizasse como de cunho religioso, justifico o uso de
simbolismos folclóricos e figuras tidas por pagãs, na mesma medida que se
observa tal uso pelo Santo Apóstolo Paulo, quando evoca conceitos como
"nele nos movemos e existimos" [Atos 17:28] ou "Deus é fogo
consumidor" [Hebreus 12:29] dos acertos terminológicos dos estóicos e
epicureus, não ratificando tudo o que diziam, obviamente, mas encontrando um
ponto de contato, uma linha lógica conectiva que abrisse as portas para sua
mensagem. Não só as correntes filosóficas, mas também a étnica, ao
direcionar-se para os atenienses e dizer: "prego-vos o Deus
desconhecido" [Atos 17:23] - curiosamente, herança do profeta pagão
Parmênides, e não é deste último que assente a sentença em sua epístola a Tito
[Tito 1:13]? E dado a citação por vaticínio, não se ouve da boca do apostolo os
autores Arauto e Cleanto? [Atos 17:28] ambos dramaturgos gregos?
E
isto se ouve não somente para pregação kerigmática ou a justa increpação, como
supracitado, mas também para exortação da igreja, como recurso para admoestação
pastoral, quando por exemplo, em 1º Coríntios 15:33 replica o aforisma da 218
do livro Thais de Menadro. Ora, não poderia o mesmo se valer de Salmos 1, no
qual se exprime o mesmo princípio? Pois então, por qual conveniência alterar o
uso? Não seria por considerar: que tudo é puro e para os puros e tudo é
contaminado para os infiéis e incrédulos [Tito 1:15]? Como bem fiel a seu
apotegma: "Examinai tudo e retende o bem" [1 Tessalonicenses 5:21].
Agora,
a antítese de tomar os simbolismos pagãos para uso instrumental de exprimir a
verdade cristã, é do que prevejo imprecações como o de tomar o símbolo cristão
e inseri-lo em um contexto avesso e idolatra. Quanto a isso, resguardo a
fiar-me na Santa promessa: "A verdade santifica" [João 17:17] e a
mesma não pode ser subvertida [2 Coríntios 13:8], e assim o é como muitos devem
entender. Desta feita, a verdade é poderosa, e não admite força concorrente que
intente desafiar sua feracidade.
Quanto
acusação de relativização do mal, creio que não se sustenta, uma vez que aquele
que ler poderá averiguar o que é evidente. Não haverá de encontrar nenhum
conceito essencialmente mal servir-se como bom, mas apenas em termos -
estigmatizados - que serão utilizados para contextualização do tempo e espaço
que a obra se propõe a apresentar. Isto é, "heróis druidas" não
necessariamente exprimirá a relativização do "louvor ao druidismo"
antes e tão somente, vale-se do termo, para corresponder os fins estéticos
concebidos, isto é, são emprestados apenas o aspecto de sua forma, não a
doutrina de sua expressão. Pois aqui, não há nada do fenômeno visível e
verificável, mas sim, uma compreensão popular e lendária do termo, por exemplo,
os rituais descritos não correspondem a expressão nenhuma existente, nem
possível, pois a proposta de seu teor é tão somente dar luz ao caráter
imaginativo.
Em
suma, o leitor de boa mente, haverá de perceber que o que é essencialmente bom,
em principio e valore, verá que a mesma, é louvada como tal, pois a virtude é
tomada como o ideal de toda busca. Como dito:
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro,
tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é
amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor,
nisso pensai.” [Filipenses 4:8]
E
o que é essencialmente mal, em todo nível, aspecto ou alusão, é considerada
pela ótica do próprio protagonismo inquestionavelmente abominável. Hora alguma
relativiza-se os padrões.
O
que é reprovável, há de ser reprovado segundo os argumentos que proponho,
porém, sob este contexto fabuloso, provando-se ao fim, que a obra se constitui
como um receptáculo de arguições dialeticamente tecidas. Isto é, tomo a
empreita como meio didático a fim de combater e repreender o que é condenável,
tomando o vicio por antagonismo. Como dito:
"E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas
das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só
referir é vergonha. Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam
manifestas; porque tudo que se manifesta é luz.” [Efésios 5:11-20]


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