Prophetheia - Capítulo IX

    Malak chegou aos portões Élficos de Coraar, donde podia-se ouvir cantos serenos dos bosques ao derredor da víride fortaleza; Os atalaias lhe inquiriram o azo de sua visita; e Malak após informá-los; foi lhe permitida a entrada: “- Alto lá! Quem vem? Em nome de quem?” – inquiria o porteiro, que ouvira a resposta: “Malak, batedor de Fidirium, em nome de Liontarium, a alta capital dos homens!” – “Batedor? Vens com o que? E a fim de que? – continuou inquérito, seguindo o procedimento – “Venho somente com esperanças, a fim da honra de vossa aliança!” – respondeu Malak; - tais palavras satisfez o crivo que enquanto elevava os portões, alçou: “Entre!”

    Quando Malak adentrou a cidadela, um guarda lhe informou: “Após a ponte do rio, no centro da praça encontrará a torre do salão, lá o rei já lhe aguarda.”

    Ora, o jovem homem, nunca dantes pisara em terra de elfos, e ali não deixava de se encantar com a beleza de tudo que os seus olhos discorria; os belos monumentos e as belas elfas, que ao entoarem sublimes cânticos, atordoava-lhe o coração de fulgurosa admiração; Malak desceu da montaria antes da ponte, deixou o cavalo aos cuidados do estabulo presente, encaminhou-se para a alta torre; e adentrando, contemplou o alto rei dos elfos em seu dourado trono, que ao vê-lo estendeu-lhe o cetro permitindo-o aproximar, um mordomo elfo instruiu a Malak: “O rei quer ouvi-lo, vá e apresente sua petição.”. Malak perante o trono mesurou, e iniciou o breve informe:

    “Majestade das estrelas radiantes, perante ti me posto a fim de recorrer a vossa potência, pois é sabido, que pelas virtudes que vossa moral goza, tu não deixarás de honrar a aliança de outrora, e nos prestará por vosso benevolente favor, o socorro que rogamos! Os demônios do sul, uniram-se e ascenderam-se contra nós; cem mil foi por raso contado entre estes que anseia a queda do ocidente; carecemos de poderio diante um embate, o qual é iminente; venho assim, por Liontarium convocar-vos, os astros para vencerem a escuridão ao nosso lado.”

    O alto rei élfico, nenhuma surpresa demonstrou; fitou penetrando o olhar a Malak e promulgou resoluto:

    “Não lutaremos” – Malak em assombro foi tomado, o ânimo que podia ser visto em seu semblante fora arrancado de sua face e a esperança que nutria esvaiu-se de pronto. – O rei continuou: “Nossa era findou, o embarque para o além oeste já nos aguarda, não cairá sobre esta terra uma gota de sangue élfico, não mais! Mas por honra ao compromisso que a aliança nos incumbiu, legado será a vós nossas terras, pois nelas não mais caminharemos, e nossas armas a vós serão deixadas, pois estas não mais empunharemos. E posso vos garantir que não há terra mais segura sob o céu, e não há lâmina mais cortante sobre a terra, delas farão bom proveito e se bem administradas, digo-te, que vos livrará.” – Malak, destemido quase ousado replicou: “Tão somente esta guerra, por favor, meu senhor! Se não morreremos!” o Rei em tom altivo, franziu o rosto e respondeu: “O remanescente que habita dentro destes muros, nasceram e viveram para verem a terra de nossa herança a oeste, não vou matar o sonho dos meus para tão somente adiar o pesadelo dos seus; encerro este assunto! Mais algo vem de ti? Além de tais desesperanças?”, Malak cabisbaixo e vencido, inquiriu: “Sim, há algo mais, o que é a ‘arma que findará a fera?” o rei se levantou do trono e em alto tom respondeu: “A lâmina de minha espada”, Malak empalideceu-se e encarou o rei élfico, e inquiriu: “Há alguma outra além desta capaz de tal feito?” o rei, respondeu: “De transpassar a fera? Não, nenhuma além da que se vela na minha bainha, mas a irmã desta... que também aqui fora forjada, é a única capaz de encerrar por duas vezes um adversário.”, Malak replicou curioso: “Matar um desmorto tu dizes? Onde encontrá-la?”, o rei respondeu: “Sim, matar um desmorto, essa se perdeu.”, Malak, em silêncio ponderava a ousadia de inquirir uma pergunta que temia ser tida por ofensiva ao rei; o alto elfo, percebendo as dúvidas consumindo Malak, lhe disse: “Jovem homem, não temas sanar as questões, mas tema deixá-las em aberto.”, Malak então se valeu da brecha e inquiriu: “Senhor, não quero soar ousado, mesmo que por natureza seja justo julgar-me desta maneira, mas por acaso, não seria contado entre as armas que deixarás os homens esta que se vela na sua bainha?” – todos do palácio que ouviram tais palavras perderam-se em gargalhos, e o rei sorrindo respondeu: “Esta não é como as outras, mas faz parte do rei enquanto ele viver.”, Malak iria retrucar quando fora interrompido pelo Rei ao chamar os mordomos com as seguintes palavras: “Mostrem ao peregrino a sala de banho e o guiem ao dormitório - olhando então para Malak continuou – “Sem mais bom rapaz, acomode-se aqui por essa noite batedor, e amanhã, poderá levar algumas carroças com armas para teu povo; vá com a boa sorte dos elfos, e desejo-lhe venturada sina!” – Finalizando, estendeu o cetro, encerrando a audiência. Malak banhou-se e ali descansou até onde a sensatez lhe permitiu adiar o retorno para casa.

    Antes do fim da tarde, após o alento de um revigorante repouso, Malak pôs-se ao retorno; o rei élfico, chamado Ethriel, filho de Othriel, não deixou de cumprir sua palavra e de manifestar sua misericórdia e graça sobre a raça dos homens, e sem custo, confiou à atalaia e mensageiro, Malak, a puxar sete carroças carregadas de armas élficas para a terra dos homens, uma quantidade suficiente para munir um terço dos combatentes.

    Com Malak, também estavam os não poucos homens que visitavam ou habitavam há longas datas a Coraar, ali se despediram e dali, tais homens partiram para o Leste, sob a demanda de apoio a sua raça, o que de pronto não se demoraram a honrar.

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