Impelido por uma força além de si, o bravo Capitão encetou o designo que em secreto arquitetou, este era, desmantelar o inimigo sabotando seu posto de provisões; Leonadair estava ciente que não erradicaria o mal iminente, mas fiava-se a convicção de que tal tentame adiaria o assalto, provendo assim, maior tempo para o seu povo aprestar-se a guerra contra o cerco.
Em um aspecto cálido e impávido embainhou o par de adagas; tomou um tição tirado do fogo e ateou consecutivamente contra os silos em derredor; o clareado das chamas despertou uma tropa de Orcs, e quando estas saíram das tendas e contemplaram o homem de vestes prateadas frente ao fogo, possuíram-se de ódio, e berraram convocando toda a legião pela tal invasão, o tumulto revoltou-se e uma horda postou-se com tochas e espadas disformes, quando todos se alinharam de fronte sedentos pelo ataque aguardando o sinal do chefe mor dos hediondos; Leonadair, imperturbado sem nada temer, fitou os olhos no pomo de sua espada e serenamente enunciou como um sussurro: “Eles não são dignos Akimirus, de sentirem-na sua lamina devora-los, mas juro a ti, que a banharei em tanto sangue negro que em ébrio mergulhará seu brilho” – Quando findou, orientou sua visão para o chefe mor dos inimigos com um olhar tão penetrante que a morte podia ser notada exalando de seus olhos, desembainhando no mesmo instante a longa Akimirus, quando esta, emanou seu fulgor, a luz da lua e o alumiar das chamas ofuscaram-se em contraste com seu lampejo, seu aspecto mostrava-se tão aterradora, que era capaz de gelar a espinha das mais temíveis das criaturas; neste momento, uma parcela dos inimigos menores, somente de contemplá-la expiraram de mal súbito, outra parcela fugiu desertando da companhia; porém os maiores da tropa, mesmo que relutantes, não recuaram, pois ainda assim era uma imensa horda, o Chefe Órquico soltou um berro nefasto e bradou irado: “Devorem esse desgraçado seus inúteis! Devorem!” – Uma legião avançou então contra o Alto Capitão de Liontarium, sobre este feito, vale-se enfatizar que não houve na história alguém que em tamanha desvantagem se pôs a marchar sozinho contra um exército tão numeroso.
Leonadair em postura heroica marchou na direção destes, ao desferir o primeiro golpe, estava tão empossado de fúria e foi obrado tão velozmente e de tão hábil maneira que em um só movimento decapitou sete Orcs que faziam frente ao assalto, suas sequencias de ataques e contra ataques eram de natureza tão majestosas e bem orquestradas que o transformava num vulto intocado e em um espectro imbatível, qualquer o tamanho do bando que cercava-o eram todos decepados, membros e entranhas voejavam sobre as cabeças e o sangue negro dos Orcs tingiam cada palmo da grama sob os pés, dezenas, centenas, milhares, caiam pelo fio de Akimirus, Leonadair lutou até o amanhecer. Naquela noite, a primeira legião Órquica de Trakatum, que contava com seis mil demônios deitou morta diante a face de Leonadair.
Quando o pico mais alto das cordilheiras do horizonte foi tocado pelos primeiros raiares do sol, Hammardzak exauriu, e frente a pilha de cadáveres, caiu de joelhos, suas vistas escureceram-se e a ponta da lamina de Akimirus tocou o solo; já não havia Orcs neste instante, os silos foram destruídos, e somente brasas ardiam, o ar mostrou-se mais fresco, um clima gélido da manhã assoprava alivio, e um sentimento de intento consumado florescia no peito do bravo capitão, porém, ao longe, quebrando o silencio, ouviu-se de um berrante, odioso ruido, Leonadair viu então, uma outra legião Órquica vindo do leste entre as tendas; não teve forças de se por de pé, permaneceu ali, experienciando o esvair da esperança cogitou enfim, tocar os lábios da morte e entregar-se a seus braços.
Os Orcs alinharam-se, e o ar voltou-se a pesar, em um reflexo intuitivo, Leonadair pensou perceber uma presença ao sul, e quando se virou, sorriu surpreso pelo inesperado espectador, sobre um elevado monte esmeralda, entre a floresta e o lago, Akrivel estava em pé, com o livro e seu cajado; num relance, Leonadair temeu pela vida de Akrivel, e olhou assustado para a nova legião que aglomerava-se, tomado então por desespero ao ver uma tropa de arqueiros órquico entesando os arcos na direção do arcano; Leonadair gritou: “Akrivel! Por amor a tua vida corra!”; Akrivel sorriu, e tocou a ponta inferior do cajado por três vezes no chão, a terra tremeu, o chão em magnitude espantosa rompeu-se e se abriu sob os pés de toda a legião; e em um único momento, a legião de Agnasg, a qual contava com sete mil Orcs, foi engolida pela terra, um abismo surgiu naquela banda, o qual foi chamado posteriormente de Túmulo do Sangue Negro, e a sua beirada alcançou próximo aos joelhos de Leonadair, que estático tremeu de espanto admirando todas as tendas de ambas legiões sendo juntamente tragadas pelo precipício que se abrira perante seus olhos; um breve silencio tomou o cenário, e findou-se com o canto de pássaros, que em celeumas aparentava congratular-se pelo impressionante feito.
Leonadair, exaurido desfalecia sem deixar de estampar um aliviado sorriso no rosto, enquanto Akrivel lhe estendia um odre de couro velho com fitas brancas (que possuíam inscritas letras de um idioma antigo de cores douradas ainda vividas) dizendo-lhe:
- Tome filho! Esta é a dadiva de Liek Shnel, nutriz da terra que nos suporta.
Leonadair, lançando voz a dúvida que lhe ecoava gritou a Akrivel: “Como fizeste?” – E sem tosquenejar, de súbito, tomou o odre, em breve mesura das mãos do velho e tragou de todo.
Akrivel sorriu admirando a cortesia mesmo em tais condições e lhe respondeu:
- Não fui eu quem operou, mas através de mim e por ti é que foi operado; lembre-se, o ato providencial nunca deixará de existir, enquanto lutares a causa justa.
Leonadair, deleitava-se do odre de olhos cerrados, e finalizando-o com risos extasiados enfim abriu os olhos e notou que já estava só, diante o hálito da brisa e a cantarola dos pássaros.

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