Ao norte de Córkus, entre os sombrios carvalhais de Vuds Lykaine, havia um acampamento solitário, que segundo investigara Malak, comportara a pouco tempo, uma dúzia de orcs. Malak sabia que bivaques orquicos eram sempre abandonados, nunca revisitados - pois orcs, práticos como eram, não se prestavam a desmonta-los, muito menos carregar suas estruturas, pois nunca investiam devido valor a nenhuma obra que realizavam. Disto sabendo, o batedor, encontrou ali, sem risco para o perigo, ensejo para seu recreio.
Pôs-se a planear as estratégias para o resgate de seus amigos, segundo eventuais possibilidades, ponderando vias de curso e revisando mentalmente ensaios de combate a medida que meditava quais inimigos, adversidades ou ambientes, supostamente o aguardava. Assim se concentrava, como um gladiador a adentrar a liça.
A garoa descia fina, enquanto buscava abrigo sob alguma cobertura - menos malcheirosa - daquele rústico lugar, decidiu acomodar-se por debaixo de um quebra vento perpendicular, que pareceu-lhe muito eficiente contra aquele dançante chuvisqueiro. Como o frio passou a castigá-lo, decidiu arriscar produzir fogo, pois como considerou: "Preferível me é uma peleja contra aquilo que minha adaga encerra, que o látego deste álgido incombatível com minha arte!"
O produzido fogo, reconfortou-o, e de tal maneira, que logo Malak viu-se pleitear contra a sonolência, se aqueceu e rendeu-se a um relutante descanso. Antes porém, de velar o sentido ao onírico, enquanto ainda turvava a vista, notou uma sombra rodeando lenta e misteriosamente, caminhando em direção ao seu fogo, essa movimentação bastou para despertá-lo para alerta precaução.
Malak calculava tirar um tição do fogareiro para afugentar a fera, para a qual disse em desafio: "Tire a pata do meu descanso, gatuno enxerido!"
Phantom, o dito "gatuno enxerido", desvelou-se a imagem de Daerown, que fitou com jocoso sorriso, dizendo enquanto se postava altivo frente ao Malak: "Fazer fogo em Vud Lykainen? O que ensinam em Fidirium? Maneiras de como atrair a morte?"
Malak não se importara com a censura, de súbito esclarecimento, percebera que estava diante um amigo, e não se conteve, num lépido erigiu-se num salto do chão - em qual estava a pouco vencido. E bradou tão desmoderado em animo, que parecia estar se sentido em um festivo banquete plebeu da capital:
"DAEROWN!! Meu caro amigo! Louvado seja por revê-lo! HAHA! Não se preocupe! Sou amigo da natureza!"
Antes que ouvisse alguma dura repreensão de Daerown, duas flechas silvaram no ar, estacaram-se no tronco de uma árvore que se postava próximo entre os dois, o alvo atingido estava a dois palmos de seus narizes. Malak, após ligeiro susto, sorriu reconhecendo a penugem daquela rabeira:
"Lydia? Impressionante! A Lydia conseguiu errar um alvo!" Quando fitou a origem do tiro, viu Lydia e Farkas correndo até eles. Malak gritou novamente, na mesma maneira displicente: "LYDIA! FARKAS! Meus caros amigos! Louvados sejam por revê-los!"
Lydia, disse em uma resposta, irada e sussurrante, não tão receptiva quanto Malak esperava: "Cale a boca! Tolo barulhento! Podíamos ouvi-lo a distancia de sete dias! Viu como poderiam ter sido flechados?! E se fosse outro? Toda essa animosidade cessaria sob uma lápide... se tivesse ainda a sorte de possuir uma!"
Malak respondeu, com um incrivelmente possível alto sussurro, cuja a discrição fora frustrada novamente: "Lydia! Estava deveras com saudade de seu mal humor! Por favor, que não haja em ti solicitude! Pois como toda essa floresta sabe... sou Amigo da Natureza, minha cara!" Assim disse, tão cheio de si, que pareceu a todos muito cômico para aquela figura.
Farkas não se segurara, e viu-se emitir uma relutante, mas genuína risada. Todos riram, mas logo cessaram, pois ativeram-se com dor a falta de Leonadair e Nyah naquela roda de amigos. Reconheceram a boa sorte que tiveram, enxergando naquele acaso, a zelosa providência. Após quatro pares de olhos revisar ao derredor daquele local, todos enfim se cumprimentaram com boa consideração. Apagaram o fogo, e reuniram-se a tenda maior daquele acampamento. Ali, discorreram, e contaram cada qual sua aventura, para ao fim considerar:
"Pois bem - disse Daerown - pelo que parece, os mananciais estão atados magicamente a fonte de Vaterá, que agora descobrimos, ser um portal eficiente... Eu me encontrei no norte dessa região, a terra dos ents, isso é, muito próximo ao Nitziv; Malak, por sua vez e como disse, andou pouco do leste até aqui, logo, compreende o regato de Hamá; Enquanto Farkas e a Lydia, sem sombra de questão, se viram em Hivurat, um manancial do oeste desta terra."
Farkas, que a pouco fora carinhosamente titulado por Malak, de O Unicornideo Sanguinário, disse: "Uau, uma perspicácia felídea, Daerown! Então Leonadair e Nyah, segundo essa observação e as dicas que nos deram os guardiões, provavelmente se encontram ao Sul, entre Faranat e Corkus?"
"Sim! E não muito distante daqui..." - reiterou Lydia, fitando os olhos ao sul como que ansiando encontrar visível algum vestígio da presença de seus amigos.
O tempo urge, corre, sim!
A sorte incorre, ventura enfim!
Acaso concorre, ande, presteza!
Bom herói socorre, eis ai, Amigo da Natureza!"
Todos unanimes, viraram os olhos, e queixaram-se rindo: "OH! Não... sem rimas, versos e métricas, por piedade!"
Farkas, ainda rancoroso pelo apelido recebido, retomou: "Malak, não pensas tu que sendo amigo da natureza, os pássaros te serão como pombos correios e os roedores como guias turísticos, pensas? Se não for assim, não se gabe por possuir aquilo que não nos será util."
Todos riram aquiescendo, com a exceção de Malak, que sorriu sem muito sinceridade, antes, perdendo parte do ânimo, se deu conta da razão desta consideração de Farkas, pois realmente pensara a pouco que a floresta bem poderia lhe estender um tapete vermelho.
"Eis que vai em auxilio,
Um bom flautista em exilio,
Para seus amigos resgatar.."


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