Prophetheia - Capítulo VI

    Adentrando os altos portões cinzentos, foram recebidos com numerosas questões concernentes a missão por não poucos curiosos, porém, não se detiveram a responder, antes Leonadair fora de imediato deixar a criatura sob os cuidados de uma botica teriônica, ali cuidavam, criavam e estudavam criaturas místicas, como bestas e feras, e mestravam Animórficos; esses sanatórios eram tidos por grande estima pelo povo, e eram comuns encontra-los nas mediações da cidadela. Em seguida, os quatro cavaleiros encaminharam-se a sala do trono, o rei encontrava-se no mesmo com seus generais; quando entraram pelas portas, o rei tomado de alivio, os recebeu:

     - Oh! Quão alento gozo em ver-vos novamente, pois turbado está meu espirito; chegaram a tempo!

    Leonadair, pós mesura principiou as novas: - “Majestade! Recolhemos as informações do sábio a respeito do fragmento e enfim entendemos que ela se trata de uma predição, o despertar de feras que assolarão a terra...” – O Rei o interrompeu: - “Vão foi o que empreenderam, o inimigo de alguma forma oculta aos nossos olhos e silenciosa aos nossos ouvidos já se postaram frente a guerra, é por isso que nos pomos a arquitetar neste instante, um cerco contra a hoste que se organiza tomando forma de um cinturão Órquico de Severní Lych, o Grande Lago do Norte, à Rytaia Adavi, a Floresta Lestense, estima-se cem mil demônios, os quais contam na retaguarda com quatrocentos e cinquenta mantos negros, com chapéus pontudos e cajados curvos, semelhantes a feiticeiros de corja maligna, Fidirium nos fornecem dez mil lanças, e Arkoudarium vinte mil espadas, ambas casas já marcham e nos aguardarão no portal das flores, precisamos de três vezes isto; e por esse afã que recorro a vossa presteza, sei que não há nesta terra cavaleiros tão velozes quanto vós, assim vos envio como embaixadores a todos os nossos aliados e vizinhos os quais em outrora uniram marcha conosco; gostaria de ver os arcos dos elfos e o machados dos anãos ao lado de nossos cavalos, vão quanto antes e retornem o mais breve possível cavaleiros.

    Leonadair indagou: - “Mas como tão rápido eles se aprontaram? Não foi por essas bandas e por esses tempos a captura do mensageiro Órquico? e os vigilantes sobre a empreita? Nada informaram?” – O Regente assentou-se no trono e respondeu: “Aquilo fora apenas distração, há muito tempo iniciaram estratagemas contra nós; quanto aos vigilantes, não mais patrulham, pois nenhum retornou de seu turno, somente este último que fora tomado em tortura por eles e reenviado a nós para informar-nos da iminente desgraça” – Leonadair, intentou finalizar o informe da busca: “Mas ouvimos de uma tal profecia que está prestes a se cumprir, a qual devemos...”, “Leonadair! Filho de Hemidas... – Interrompeu Amartnux II se levantado do trono – “...o que eu temia já se encontra em derredor, e busca meios de me devorar, as chamas da guerra se acederam e tempo tornou-se precioso demais para consumi-lo com as vãs fabulas engenhosas de vetustos supersticiosos, não te roguei um pedido, te comissionei por uma ordem, a ate isto a ti, quanto mais se demorar neste palácio, maior o número de viúvas e órfãos deste reino tu enredarás em algoz sofrimento, agora VÁ! E sem mais perguntas!” 

    Os quatros cavaleiros, saindo da cidadela, alçaram-se em seus cavalos; Leonadair, se pôs frente os três, fitou seus olhos sobre eles, e com amargura no peito os disse: - “Meus amigos; não precisam fazer isso, vos liberto de seus juramentos; não há mais esperança, findou-se o tempo, aconselho-vos a fazer um sábio proveito das horas que lhes resta ao lado de suas famílias, pois são os últimos dias, que o Uno vos recompense pela lealdade que me prestaram!” – Farkas, neste instante tirou um pequeno lenço e enxugava os olhos lacrimejados, Malak gargalhou dizendo: “Sua melancolia é de fato comovente, não Farkas?” – e perdeu-se em riso contagiante; retomando o folego continuou seriamente – “Por ti juramos lealdade, na paz e na adversidade, por ti rachamos escudos, por ti trincamos as laminas, por ti derrubamos muralhas do inferno e ceifamos hordas de demônios; nascemos juntos, crescemos juntos, lutamos juntos, e quero que saiba capitão e companheiros, que junto de vós eu morrerei! O Ocidente precisa de nós, e nós precisamos de seu comando, Grande Hamardzak, nosso capitão!” – Lydia assentiu e complementou: - “Atei a meu coração a esperança que me logrou a profecia; não é o fim, mas o recomeço e nova vida! Quanto a nossa morte, eles precisarão muito mais que infernos e hordas de demônios para consumarem um feito tão prodigioso de encerrar-nos, se estivermos unidos não cairemos, e por ti meu capitão, enterrarei minhas flechas nos corpos hediondos dessas nefastas criaturas, e por ti ou por vós, meus amigos, serei enterrada! Aguardo seu comando Hamardzak!” – Farkas diante vigorosos discursos e inspiradoras palavras, chorava feito criança de colo, e em meio aos soluços ouviu-se seu ruido: – “Por ti e a teu comando capitão! Eu amo vocês!” 

    Leonadair por um instante de silencio sorriu e bradou: 

    - Que o uno vos abençoe irmãos; não sou digno de vossas amizades, mas darei até a última gota de meu sangue a fim de preservá-la! Meu coração é vosso, e os guiarei, eu preciso de vós! Eu bem vos conheço, as suas virtudes e valores incomparáveis, e presumi vossas respostas, tinha firme em mim que poderia contar com seus ânimos! Rogo-vos assim então este favor, abusando de suas disposições, requisito que convoquem os reis para a batalha que há de cunhar no memorial desta era, os nossos nomes!

    Malak de pronto respondeu: “O caminho mais longo é minha aventura, irei aos Elfos, trago-vos lembas!” - não havia terminado de falar quando, rindo as alturas, se pôs a cavalgar rumo oeste; Farkas em seguida se comissionou: “Conheço bem o norte, hei de intentar persuadir os Anãos” e igualmente cavalgou em direção as altas cordilheiras de Darastrix Verthicha; Lydia então disse: “Trarei o que puder de minha terra e farei o que estiver a meu alcance, como minha empreita é curta, disponho-me a convocar Dovarium também!” – e dito isto partiu orientando-se para Aquilarium.

    Leonadair impressionado com a coragem e esperança dos resolutos corações de seus amigos, suspirou admirando-os sumir a vista; em seguida vagou seus olhos para a face de Liontarium, e a contemplou com plena paixão; era pôr do sol, e os últimos raios do mergulho solar sob o horizonte, lançava-se frente a monumental Cidadela, e ela alaranjava-se, e seu aspecto fez-se semelhante as cidades de ouro celestiais cantadas nos carmes e celeumas de antigos heróis e profetas, o vislumbre era acompanhado com o assovio da breve brisa gélida que anuncia uma fria noite, neste instante, suas entranhas aqueceram-se e foi lhe inspirado um canto: 

    “Oh minha branca cidade! 
Perante o Uno e sua face, Conjuro a ti toda lealdade;
A ti eu fielmente prometo, enquanto a sina não me encerrar num leito,
Não ousará um infeliz se pôr contra a muralha gris;
Enquanto fôlego houver em mim Liontarium não terá fim,
De pé estará! Por ti eu luto E nela sempre haverá! A fartura de fruto,
Morrerá o astuto!
Viva a capital do ocidente! Com o justo o Uno é clemente;
Nela em paz descansará o inocente.”

    Quando concluiu, Arag se pôs a cavalgar como um vulto á penumbra, tão veloz quanto um disparate de dardo Élfico.

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