Pondo-se em célere carreira, como um archote disparado, Lydia cortava os extensos pastos víride de Veld Arklys rumo a Aquilarium, quando esta acolhia o sol em seu ventre, velando o raiar magenta por detrás de sua silhueta, que delineava o horizonte Sudoeste.
Lydia, porém, quando próximo ao manancial do leito de Liek Hor, ponderou em cálculos a rota mais sensata, a fim de remir o tempo com bem proveito; ali, pôde perceber que o mais distante deveria de antemão ser avisado, para que a desvantagem de sua distancia fosse compensada, pois quanto antes lhes convocasse, ante se poriam a marchar, e a tempo poderão enfim chegar; enquanto que a província que dista uma localização mais próxima, goza a vantagem do tempo de viagem reduzido; lançando margem a possibilidade de uma convocação tardia. Desta maneira, Lydia alterou a rota, e rumou a norte, no afã de chegar aos portões de Dovarium antes do céu estampar um tom totalmente fusco.
Enquanto Lydia cavalgava sobre o prado à falda que deita frente a Dovarium, pôde avistar o limiar de Kaesin Skjall, e sob a beira de suas copas, notou três velhos homens de aspecto semelhante a Akrivel, assentados ao redor de uma fogueira que encandecia flamas de tom purpura; fitou-os, mas Lydia não se deteve e estava a seguir a toda pressa, quando próximo, os portões se abriram para ela, e quando então cruzou os muros, uma voz alçou do alto, siga as ruas que mais se elevam, no topo há quem te aguarde; e Lydia, continuou, atravessando o que parecia ser a cidade baixa, subindo escadarias e vielas, passando o portão médio e a cidade alta.
Chegando a um extenso planalto ao topo da cidadela, um porteiro lhe fez sinal, estendendo a mão com palma a frente; solicitando em tom cortês que apeasse da montaria; Lydia, obedeceu de pronto, e olhando ao derredor não deixou de reparar que todos os a rodeavam, porteiros, guardas e cidadãos, nas ruas e janelas, eram todos vetustos varões encapuzados; e ainda notou que todos que ali estavam, não lhe olhava o rosto, antes, percebeu que resistiam cruzar olhar com o dela, e ali não se via mulheres ou crianças entre eles.
Seu exame fora interrompido pelas palavras do porteiro; que em mesura e cabeça curvada, com olhar fito ao solo lhe disse:
“Honra aos Eptarkas! Pais dos mestres, Filhos do saber, Raízes da terra, Fontes do sangue, os quais, já lhe aguarda!”
Lydia, avançou, ciente da necessidade, mas temerosa quando ao incerto, e então viu, uma extensa mesa de pedra, com vinte e quatro tronos de ouros velho, desses, os três maiores encontravam-se no extremo norte da mesa, e neles uma insígnia podia ser vista radiante, um sinal em tríquetra de números sete que se sobrepunham, mas esses assentos, estavam vazios, e dos outros vinte e um menores, apenas sete se achavam ocupados, os quais, encontrava-se juntos e reunidos no extremo sul da mesa.
Os sete, chamados Eptarkas, debatiam em tom solene, mas um deles, que aparentava ser o mais farto em dias ponderava em silêncio; Lydia moveu-se, e numa distancia de um tiro de pedra, adentrou um círculo, cunhado no chão; naquele instante o mais velho, que demonstrava ser o principal (por ocupar posição de preeminência, na ponta da mesa), levantou a mão em sinal oratório, e todos calaram-se; Lydia, ao notar que se devia a sua presença, curvou-se e pôs-se a dizer velozmente:
“Ó nobres! Perdoai-me a insolência de incomodá-los, mas em anseio de socorro recorro e clamo-vos à vossa presteza - isto ela disse trêmula, (Pois os Eptarkas eram extremamente honrados pela magnificência de seus espíritos, e pela profundidade de seu saber) – Rogo-vos a presença do Rei!” (assim requiriu pois julgou a ausência pelo Trono Maior que vira vazio).
O Sábio, de olhos cerrados e sem se demover, lhe disse serenamente: “Procura-te por aquele que assenta no trono? Ele está presente, assiste a tudo e se atem a todos, pois tudo e todos refletem-lhe a presença”
Lydia, sentindo um fulgor de toque alentador, decorreu os olhos em busca de alguém que correspondia-lhe a uma imagem real, pois ouvindo as palavras dos sábios, não entendera, visto estar velada sob a ótica humana; algo além do que se pode descrever lhe acontecia, não pôde se ater nem fitar a nada, pois o mundo lhe parecia como caótico mas ao fundo, notava ouvir ou sentir a calmaria de quem navega em águas serenas, e oscilando esse estado a um sereno e calmo, que entoava como trilha notas caóticas, percebendo som do caos, que pulsava a medida de seu coração. Lydia, assim, cai de joelhos, atordoada com efeito da voz dos sábios, e antes de recompor-se, O Sábio lhe respondeu:
“Sabemos a que vieste, e já respondemos; mas digo-te, não vieste em vão, mas vieste por um propósito além deste que cuidas, não resta aquilo que tens de ver”, neste momento, Lydia ergue a cabeça e fita o sábio, esse abre os olhos e uma chama de flama purpura lhe encandecia o aspecto; Lydia é acometida por um lampejo, um êxtase lhe amaina o medo, visões lhe sobem a mente, um breve decorrer de cenas manifestam-se; dentre essas pôde contemplar, grandes naus velejando, e naufrágio dessas ao som de lamentos e gritos; uma marcha de homens encapuzados somando com a força dos homens do norte; e por fim, como em vista lenta, viu os olhos de Farkas cerrando e um grande manto álgido lhe sepultando; as visões cessaram, e o coração de Lydia se feriu; seu espirito se abalou e estática, fitava lembranças.
O Sábio, encerrou contato com ela, e olhando para os seus, os amou, e minando lhe lagrimas, eleva a voz branda:
“A treva é enterrada com aquele que lhe deu luz, e sabe-se que o mal sempre quando combatido, e até mesmo quando vencido, nunca deixará de calcar os pés; o custo do intento é alto, o preço? Nós, a Era dos sábios finda meus irmãos, consumamos a carreira a nós proposta; abracemos enfim com alegria nossa sina, tomando a morte por dadiva divina! – e virando para Lydia, continuou – e quanto a ti, pequenina, vá e depressa, os seus clamarão por ti!”
Lydia levantou-se, ainda muito abalada, mas buscando a todo instante ater-se a missão outorgada, sem poder evitar o açoite da solicitude, a qual pela incerteza do porvir, amedrontava-lhe ao suscitar a mente, se era o mal que lhe aguardava.
Quando descia a toda pressa a escadaria, viu a costa ocidental do reino de Dovarium, donde deitava um amplo arvoredo, dali ouviu sons e ecos de feitiços sendo lançados, seguidos de gritos de embate, sentinelas soando sinos, e atentando-se, percebeu do alto, luzes correndo sob as copas e destacamentos de guardas em alvoroço.
Lydia não se deteve, alçou a montaria, e cavalgou rumo ao sul, quando cruzava a falda que deita a frente dos portões, não viu mais os três velhos a beira da floresta, e enquanto ali atravessava, refletia a confusão que deixava; e tomou a urgência da mensagem, a qual, dependia unicamente de si, sobre o auxilio que prestaria ao socorro de uma cidade já bem fortificada e munida; mesmo certo do juízo sopesado, um turbilhão de maus pensamentos a assolava, o peso lhe esmagava a mente e tribulava seu espirito, o desespero batia as portas de seu coração; mesmo de aspecto resoluto, rosto franzido, semblante sério, suas rosadas bochechas recebia as lágrimas de aflição que minavam lhe solitárias.

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