Nos tempos de Hadamá, próximo do ano 140, Zatani, o mais novo dos Dodeka, que ainda vivia (pois os Sábios vivem aproximadamente 500 anos) deixando-se seduzir, enamorou-se de Lilith, vetusta irmã de Hevá, Dama do Rei. Enlaçado pelos ludibries da anosa referida, optou em abandonar a Cathedra de Semum para conjungir com a recém amada, assim uniram-se sob juramento matrimonial, Zatani somava duzentos anos, tal feito, foi tido por jocoso pelos jovens e bizarria ao restante, a ponto de tornar-se provérbio cômico entre o povo.
Tal situação quando fora manifesta, alvoroçou todo o reino em escândalo, visto que era tino comum não ser próprio de Sábio unir-se as mulheres, porém os outros onze, compreenderam a atípica situação e exortaram ao povo que não havia motivo para animosidade e que tal união fora de fato legitima. No entanto, no antro de seus corações, os Sábios temeram, pois previram que Zatani havia enredado a si uma sina que suscitaria consequências irreparáveis.
O inesperado impeliu a pasmos, pois da relação, em breve tempo, no último Nihilum do mês de Itsaka, vieram os frutos, gêmeos varões de saúde sem igual, estes eram Zimas e Timas, cresceram vigorosamente e tornaram-se admiráveis em aspecto viril.
Quando Zimas alcançou idade núbil, amou sua prima Lalitha, filha menor do Rei, e por esta esperou até o tempo requerido para união legitima, e fora no alvorecer de Hagapem do ano 160 que enfim fizeram seus votos em prol da união. Seis anos depois, num dia de Crucium do mês Danitum nasceu-lhes um filho, a quem chamaram-no Kahi.
Timas, porém, não se deixou guiar pelas paixões de sua mocidade, antes, seu prazer consistia em desprender o tempo nos livros de saberes, e devido a isto, conquistou elevada estima dos Sábios, os quais admiravam todo mancebo que inclinava o coração ao escrutínio dos mistérios.
No dia de Triunfalum do mês de Veniamim, no ano de 171, Timas caminhava às margens do mar enquanto em fascínio contemplava o espetáculo que os olhos gozavam em ver, a bela aurora ostentava a d’alva estrela sobre as águas infindáveis, o imersivo êxtase submergia seu espirito, e o encanto do sopro gélido com o breve timbre das ondas era de natureza inefável, o fresco toque das espumas sob os pés elevava-o a um alto grito de glória ao Criador: “Louvado seja o Uno!”, até que neste instante, em beira da praia, percebeu um objeto margeando sobre as águas direcionando á sua direção, Timas, desperto em curiosidade tomou o cesto de junco e abrindo-o, de súbito acometeu-lhe a surpresa, havia uma criança, de sete meses, varão de adorável formosura.
Timas atado em zelo, ansiou o melhor, tomou a criança e a levou aos pés dos Sábios, que a receberam e deram-na o nome de Akrivel, aquele que anda em conformidade, pois não deixaram de perceber o favor providencial do Uno por aquela criança.
Akrivel, crescia em idade e sabedoria, e quando instruído em todas as ciências dos Sábios, tornava-se forte em palavras e obras, demonstrando talento em toda a arte dos Arcanos. Assim, quando tal distinto episódio fora conhecida do povo, chamavam-no de: “Filho de Sábios”, “Nascido Velho” ou “Tirado das Águas”.
Kahi e Akrivel cresceram e estudaram juntos, tornando-se sinceros amigos um para com outro.


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