Arken - Capítulo II

    Em terra feraz, o labor no ofício rural desempenhava seu papel, mediante a produção em larga escala, a fartura era evidente. A vastidão de recursos logrou-nos exacerbado crescimento, não somente em âmbito econômico, visto que de postos de troca erguemos pontos mercantis em breve tempo.

    Também a respeito da natalidade, a qual elevou-se a proporções imensuráveis, pois o prazer da paz impelia aos múltiplos a prole de nossa raça, donde lemos no “Recenseamento dos dias de Hamadi”, que nossa população contava com vinte mil almas em vinte décadas de expansão.

    Assim, assustadoramente, a Sha-ar Quefar, “Aldeia sem Muros”, passou a ser uma Ir'quiriate, “Cidadela sobre o Monte”, e foi nos tempos de Hadamá que construíram muralhas ao derredor  mais por sábia prevenção que por aflita necessidade  tornando-a enfim, uma Ir'mibsar, “A Capital Fortificada”.

    Arkinarium, habilmente projetada, fora construída sobre um monte, entre a orla do mar e o sopé das rochosas montanhas. Da falda norte, denominada de Tekário Zarchim, minava água de três fontes e seus córregos serpenteavam para o sudoeste, onde desaguavam no mar. Os arquitetos e mestres de engenho, desviaram o curso dos córregos a fim de unirem-nos ao norte da cidade, fazendo dos córregos afluentes de único rio, chamado Sanguine, seu percurso planejado, atravessava-o pela cidade de norte ao sul, sob o monte do palácio, por via de túneis que enfim desaguavam numa só torrente para o mar.

    A cidade Cruci-Forme, munida de profissionais de toda arte de ofícios servia-se de todos os recursos que era provida. Além das três fontes supracitadas ao norte, seu noroeste, à sombra das cordilheiras eram jazidas de minérios, ferro, ouro, prata e pedra, ali se encontrava as instalações dos mineiros e o bairro dos mineradores, a qual, era chamada Petradina; a nordeste, doutro lado do rio Sanguine, havia a imensa floresta de carvalhais, e a sombra desta se via os depósitos de lenha e o bairro dos lenhadores, chamada Arbodina; já o seu leste, além dos portões, dispunham de campos de boa relva donde criavam os animais, e dentro dos seus muros, havia postos de recrutamento, quartéis e arquearia - nos tempos de paz, esta ala era estritamente para fins desportivos, conhecida como “Liça dos Torneios”  ali havia um bairro que circundava as arenas, chamado de Teriadina; o oeste da cidade, além dos portões, era um enorme pastio, de solo fértil onde erguia-se moinhos e semeava-se toda sorte de sementes, já dentro dos muros, havia o grande mercado, o depósito de viveres e a equilátera piscina de banho, terma do povo; ao derredor dessas edificações havia um bairro, chamado de Merksadina; seu sul, do muro meridional do monte do palácio até a margem do oceano, donde elevava-se as altas docas, havia o bairro dos pescadores chamado de Ictadina, e em seu porto, contemplava-se atracadas as grandes naus carracas: Balthazar, Gaspar e Melchior

    Arkinarium era uma grande cidade, tanto de sua primeira edificação a oeste, um moinho, até sua última edificação a leste, um estábulo, quanto, das três fontes ao norte até os portos sul, distava o suficiente para percorrer um dia inteiro, em passos largos.

    Diante todo seu glorioso aspecto, algo rebuscava os olhos pelo brilho de sua magnificência. No centro da cidade, elevava-se uma alta plataforma com amplo pátio, chamada: Planalto das Casas. Ali foi edificado os diademas de Arkinarium: o Palácio dos filhos de Afimum” e o Templo Arcano dos filhos de Semum”, o qual era também uma universidade. Nas imediações deste alto platô, havia um bosque como adro do templo, onde os Sábios caminhavam em prol de desvelar o saber. Era neste centro que todos recorriam, seja para julgar causas ou crescer na arte da ciência.

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