Malak saia de Run Radh, guiando os carroceiros da caravana, e enquanto atravessava entre os limiares dos bosques de Kaesin Skjall e Lesy Kevad, pôde ver a longa distância ao leste, cruzando por sobre o monte um exército que descia encabeçado por alguém montado de longos cabelos, os quais ao vento, flamulava como as bandeirolas dos estandartes que o seguia.
Sem se demorar, Malak galopou a fim de alcançar o exército a sua frente, e quando próximo, sorriu e gritou em jubilo ao perceber que se tratava de Lydia:
“Vida longa à Lydia! Quantas miríades somam a nossa força? Anelada amiga!” - Isso disse, confiante e esperançoso a tal grau que já considerava vitória aos homens e imaginava que aquilo que vislumbrava era apenas um destacamento de pronto apoio, mas logo seu ânimo fora abatido, quando tão somente notou o perturbado olhar de Lydia, a qual, meneando a cabeça com um lepto sorriso, não pôde velar o lamento que exprimia em si; e aproximando-se dele, apeou do cavalo e lhe respondeu:
“Como é bom rever-te bem, meu amigo! Perdoe-me desamparar-te, mas o exército que vês é tudo que temos, sete centúrias.”
Malak saltou do cavalo, abraçou-a fortemente e com voz lamuriosa, replicou:
“Poder rever o brilho dos seus olhos ofusca qualquer terror a porta;” ¬ E sorrindo, continuou – “não importa quantos lutam, contanto que lutem em defesa dos que amam!”
Lydia, sorriu acanhado, e num instante, absortos naquele recíproco afeto pareceu a ambos que não havia perigo iminente, mas apenas uma vaga lembrança de risco, e tudo demonstrava-se até ali, na medida que alcançaram, ter valido a pena.
Malak, desviou-lhe o olhar fitando Liontarium, cuja qual, sua altiva torre já despontava magnânima, e enquanto contemplada por todos, irrompeu vigoroso:
“Os Elfos não marcharão conosco, mas de bom grado ofereceram o que trago comigo: as armas Élficas! E sei que entesadas ou desembainhadas com fervorosa disposição, será para os inimigos árdua tarefa nos extinguir; ademais, os bárbaros, unirão a nossa causa também, sei que são fortes e de natureza mágica, porém não sei o tamanho de sua tribo – Malak fitou o pico de Darastrix Verthicha quando terminou essas palavras e retomou: “O que Dovarium disse, Lydia?”. Num lapso, Lydia, mergulhou em pensamentos e recobrando pós breve turbilhão de sentimentos respondeu-o num tom reflexivo: “Eles lutarão, já haviam partido quando fui convocá-los; talvez tenha os desencontrado quando alternei a rota.”
Malak assentiu, e olhando Lydia perdida em suas reflexões, sorriu, mas acariciou seu braço e chamou-a, já alçando em sua montaria: “Vamos Lydia! Não se preocupe, a estadia é passageira e após o fim, haverá recomeço!” – E dali cavalgaram, margeando a tropa rumo a fronte.
Leonadair retornou a Liontarium debruçado sobre sua montaria, e os guardas, aturdidos com a situação que vislumbrava tão glorioso capitão, tremeram e abriram os portões às pressas; adentrando o pátio, Arag parou ofegante frente a botica; e o cavaleiro tombou estirando-se ao chão, encharcado de sangue Órquico, e aparentando-se estar muito ferido. Os médicos, de pronto o levaram, e todo o povo que ali se encontrava atordoavam-se de assombro, tanto por não entenderam o que havia ocorrido, quanto se impressionavam pelo que cogitavam.
Não muito após, Lydia e Malak, de junto as sete centúrias e a caravana de carroceiros que vinham de Coraar, chegaram a Liontarium; e o povo, os louvava aspirando esperanças; quando Lydia e Malak adentraram os portões notaram alguns magos nas praças, todos de olhar severo e longa barba, andavam em grupos segundo suas ordens definidas, cada qual com suas próprias características (uns com mantos negros, anilados, ou rubros, alguns de ornados cajados de ouro, prata e bronze); Malak e Lydia se animaram, pois eles exalavam de si grande poder e tiveram esperança.
No estábulo, Arag foi notado por eles, que ao vê-lo foram de pronto a procura de Leonadair. Quando perguntaram a alguns dos seus onde se encontrava o capitão, foram informados que ele estava em grave estado na enfermaria, se abalaram de temor e correram visitá-lo. Vendo-o em tal condição, desacordado, inquiriam a todos o que havia ocorrido, mas não houve quem poderia informá-los, pois era um mistério que instigava a todos.
Lydia, recordou Farkas, e foi aos guardas conhecidos dele a fim de saber onde se encontrava, os porteiros e quem os havia visto partir disse-lhe que não o vira retornar desde então, neste momento, Lydia, rememorou sua visão que tivera no alto de Dovarium e após perpassar o vislumbre do soterro de Farkas, caiu aos prantos, tomando-se por vencida a tristeza que tanto relutara.
Lydia, cega de desespero correu ao seu cavalo, e montando-o partiu rumo a leste, depreendendo toda sua expectativa de encontrá-lo num tênue e fino fio de esperança; até que, ao pôr do sol, enquanto cruzava Veld Arklys, pôde ver, um cavaleiro vindo a seu encontro, estampando sua figura frente ao horizonte velado pelo arvoredo de Walden Tânka, era Farkas.
Quando se viram, ambos se irromperam de súbito ao assalto da paixão, e descendo de suas montarias correram a se abraçar, sem palavras, conversavam com sentidos recíprocos num assunto tão vasto e profundo que não sou apto a descrever.
Fora diante tal manifesto de devoção e zelo, que o sol, mergulhou no limiar do oeste, deixando-os afogados em seu deleite sob o inebriante calor que lhes pungia do coração.
Não só escurecia o céu enquanto rendia-se ao crepúsculo, mas também o coração dos homens entenebrecia com desesperança.
"Ora" - diziam - "se aquele dentre nós, sendo o mais hábil na arte da guerra, tipo por muitos como o 'exército de um homem' encontrava-se em estado de míngua, quem dirá o que aguarda aqueles sob sua classe? Quem fizera aquilo? Ou o quê? Que criatura seria capaz de ferir Leonadair, o Alto Capitão de Liontarium? Seria uma emboscada? Mas quantas emboscadas de outrora não lhe fora acometido? E em nenhuma delas foi vencido; quantas não foram por feras, gigantes e aos bandos? E nenhuma contra ele gozou sucesso; antes, como um sobre-humano a tudo resistiu e rechaçou sem esforço; será que um exército o havia cercado? Com ele havia algum destacamento? Ou será que estava só? – Essas e tantas outras questões nublavam a mente dos homens e ecoavam entre os muros, ruas, bairros, casas e palácios de Liontarium.
Assim se encontrava a cidadela, quando se ouviu, como de um vedeta sobre alto mastro, clamando desde fora da cidade, sob pressa e sobre um cavalo pardo adentrando os portões, um Druida da Ordem de Skeilaig, o qual, bradava atônito:
“Onde está ele meus irmãos? – Dizia fitando os magos de Dovarium – “Onde está o deus da guerra sobre um pegasus? Eu o vi aqui adentrar, ele é desta província? – Perguntava circundando o olhar, no aguardo de alguém responder – “É um cavaleiro de prata, que montava um alvo cavalo... Alguém o viu?”
“É Leonadair, Alto
Capitão deste Império” – respondeu Malak – “Ele
está se recuperando na botica, qual teu assunto com ele?”
O
Druida, apeou de seu cavalo, e fitando-lhe com sorriso, abriu seus braços e deu
curso a seu discurso, desviando olhar de Malak para correr olhar sobre o povo
do pátio de entrada, que os escutavam:
“Sou Arketon! E como vós podeis julgar pelas minhas vestes e insígnia, sou Dovarita da Ordem de Skelaig, por qual meu talante, consiste em rodear e vagar sobre a terra a fim de registrar feitos e relatos de testemunhas oculares, ou quando não, devo-me aplicar a preservação de elaboradas histórias dos antigos mitos que legam as tradições dos povos. Mas hoje, meus irmãos e amigos, pude eu testemunhar um fato, feito tal que sobrepuja qualquer registro que eu tenha escrito neste meio século que tenho de ofício. Como disse, versei-me na ciência das Lendas, de Mitos e seus Heróis, e hoje, pude ver que não são tão irreais quanto se soa, pois pessoalmente vi algo digno de panteão lendário. Este vosso cavaleiro, Leonadair, o qual quero muito ouvi-lo, pois passei a desafiar meu tino, temeroso quanto aos devaneios após o que presenciei... – Este início, ele, como orador, delongou a fim de aguardar a soma de uma grande multidão, o que se fez realidade em breve tempo, visto que já se apinhavam, a julgar pelo que se via, toda cidadela, no pátio, sobre as muralhas, sobre as escadas, nas janelas e sobre as casas; isso se deu, tanto porque era consolo aos homens ouvir histórias de Druidas, quanto aquele Skeilaig aparentava trazer respostas a todas as questões que o medo os incitou a ponderar:
“...Encontrava-me eu, caminhando ao limiar sul da província de Fidirium, pois muito me encanta seus bosques, até que intentei aprofundar-me em sua densidão, no intuito de atravessa-la, e foi dali que eu o vi, um cavaleiro prateado frente a fogueira, reluzindo as chamas como lâmina em forja, este, ceifava Orcs, como uma horda de ceifeiros sobre larga seara, montes em montes de demônios tombavam retalhados sob seus pés – após uma breve pausa, próprio dos oradores para entonação e resfolego, continuou – Ele aparentava ser indestrutível, incansável, de modo tão aterrador era sua fúria, que vi Capitães Orcs fugirem frente sua fatal ameaça, quanto mais o cavaleiro deitava o nefasto sangue, tanto mais parecia sedento e possesso em continuar, seu afã era morte e sua destreza isso bem demonstrava; flechas e dardos voavam, mas não podiam o atingir, de modo que as aljavas se esgotavam e os lanceiros se desarmavam e multidões corriam para as matas para não mais retornar. Ah! Como gostaria de ter uma testemunha para atestar minhas palavras, foi deveras inacreditável, e de fato, o é inarrável. Nunca li ou ouvi e desafio alguém que tenha, um feito desta natureza e magnificência; mas algo ainda se fez real, que ainda não pude perscrutar, ao alvorecer, quando a primeira legião já não mais existia, vi que estava aproximando-se uma segunda horda, no mesmo instante, um velho, pelas vestes, um Druida a muito antigo, de aspecto mais vetusto e alvo que a minha, apareceu as costas do cavaleiro, qual ali encontrava-se ajoelhado e evidentemente exaurido, e então, vi tocar seu cajado por três vezes sobre o solo, porém, mesmo curioso, assaltou-me uma estranha sonolência, tão pesada que nunca a experimentei antes, e adormeci... após breve desmaio, despertei, e contemplei a minha frente uma fenda enorme, donde nela jazia um outro tanto de cadáveres Orcs, tão inumerável quanto a primeira legião; tomado de espanto, fiei-me a necessidade de conhecer o autor do feito, e segui as cavalgaduras de sua montaria, o que foi fácil de rastrear, pois percebi que seus cascos eram como brasas, pois demarcara com queimadas ainda ferventes a relva em que tocava.”
Malak, considerou com reverência:
“Em nada duvido de seu testemunho, lutei ao lado do Capitão, e de fato, há algo nele de divino quando empunha sua lâmina - e temendo quando entendeu que na verdade Arketon vira Akrivel, não deixou de dizer, mesmo que para si mesmo: "Era Akrivel o velho que viste, Santo Uno! Será que algo mal lhe ocorreu?!"
“Porém”– interpelou Aitufill, conselheiro do rei que estava ali presente desde o início, apático quanto as considerações de Malak, se dirigiu para o Druida dizendo: - "Como ele o fez, tu farás bem em registrar; mas do porquê o fez? – Muitos assentiram com a dúvida, como se fosse a mesma que ponderavam, mas continuou - "Será que seu orgulho perveteu-lhe a sensatez? E quanto a ti Druida? porque negligenciou seu dever de cidadão ao não informar o rei local de seu risco? antes, tomou por prioridade a paixão de seu ofício ao seguir seu herói?”
“Ao que parece” – Disse Arketon alisando a longa barba em tom meditativo, e ignorando o tom de censura de Aitufill - “Não era tão somente um acampamento Órquico, mas quase um quartel, dada a posição e as armas de cercos ali presentes, julgo que planejavam assediar Fidirium, porém, a inesperada perca que sofreram, os arredará por algum tempo, pois ao que parece, Leonadair incendiou o silo de suprimentos, e talvez isso, adiará o tentame dos inimigos de tomar o Reino da Serpente como cidade-forte. E quanto a estes inclusive, não os deixei sem informe, vali-me de meus meios, convenci uma ave de levar mensagem ao rei daquela província sobre o risco que lhe cercava e do livramento que foi agraciado”.



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