Akrivel, o Sakriven Imastun


Akrivel, o Sakriven Imastun:

    Em uma densa floresta, chamada de Skógur Kliringo, havia uma clareira, denominada de Haletá, a qual na sua beira à sombra da face leste das altas árvores, uma pequena cabana de madeira escura podia ser vista, ali, era o lar de um velho homem, robusto de porte, majestoso de aspecto, de olhar penetrante, com longos cabelos alvos que encerravam no meado das costas e uma extensa e lisa barba gris que alcançava a altura do umbigo. Este, vestia-se de um hábito marrom que tocava sua orla no chão, de rústico tecido, mas de costura alinhada e acabamento fino, manga longa de boca larga, e capuz de bico e cumprido, uma corda semelhante a sisal rodeava a cintura, e do nó na fronte descia as pontas até os joelhos. Sobre o hábito havia um manto negro que cobria as costas, atado as pontas superiores com broches discretos de cor bronze. Quando saia de sua casa a fim de recolher galhos secos, como lenha para a lareira, vestia-se os pés com botas de camurça marrom, e tomava um bastão de sua mesma altura, esculpido e estreito, leve, mas firme, semelhante a um cajado.

    Somente de contemplá-lo percebia-se ser detentor e despenseiro de profundo conhecimento, e de fato o era, um arcano versado em um saber muito antigo; mesmo sendo portador de características tão altivas, dotado fora também com virtudes que ornavam com seu altivo aspecto: humilde no espírito, cortês no andar, manso no falar, e admiravelmente hábil na arte do pensar.

    Naquele lugar, este ancião de uma raça a muito perdida de sábios, vivia, na única presença da solidão, privava-se da companhia de todos os seres, e todos os seres por sua vez o ignorava, os animais era indiferentes quanto a sua pessoa, não o atacava mas também não fugiam; e entre os homens que ouviam dizer da sua escolha asceta, havia os que tendiam ao misticismo e diziam ser ele um espectro assombrado que não descansou, ou um bruxo maligno da floresta misteriosa; outros mais céticos, diziam que ele era somente uma lenda para assustar crianças de se aventurarem na mata; os mais sensatos dentre estes julgavam-no apenas como um velho egoísta que desgostou da vida, já outros mais broncos, reputavam-no por louco, mas quase todos o desdenhavam-no chamando-o de KrivoTerion, isto é, “O Animal Escondido” (numa língua materna); porém, seu real nome era Akrivel, aquele que anda em conformidade com o que se tem por verdade, e de fato assim ele era, pois, crendo que sua presença não ofereceria proveito as pessoas, privou-as dele, e crendo que sozinho teria maior proveito para si, atou-se a uma vida isolada.

    E em seu recôndito, mergulhava em seus livros que relatavam histórias de reis de outrora e quando não, punha-se a meditar nos milenares escritos de profetas enigmáticos e era nisto que discorria seu tempo e com grande prazer entesourava milhares de informações mediante a multidão das letras.

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