Prophetheia - Capítulo XVII

     Fora assim que impelidos pelo zelo, se dedicaram a pôr sob o céu todo o plano de defesa. O risco do eminente assalto em nada os amedrontavam, antes, aparentava ter se feito em força motriz, a tudo empreendiam com vigor e cooperação. De modo, que era presente nos cantos dos Druidas Beirds:

     Na têmpera se prova a lâmina, assim como no tempo da tribulação o Uno prova os corações! É no alto calor da forja que se une o metal, assim como sob a sombra da guerra se vê o auxílio fraternal; é na densa escuridão que aparente torna-se o tremeluz da centelha! Assim é, quando certos da derrota, a ínfima esperança dos homens encandeia!”

     Os Magos de Dovarium circundavam os campos de Veld Arklys aplicando poderes de desilusão, quando não conjuravam as próprias ilusões a fim de confundirem possíveis espiões alados dos inimigos velando os feitos que todos empreendiam; além de alguns dentre os mais poderosos, quando tocavam a ponta inferior de seus cajados em muros ou engenhos, armaduras ou armas, sob palavras de poder, dotavam a matéria de atributo irredutível, tornando tudo que tocavam indestrutível, lâminas não chanfravam seus gumes, nem ao menos perdiam seu fio, armaduras não podiam mais serem perfuradas, perfurantes de lance desempenhavam maior alcance e detinham maior durabilidade, de tal modo, que muitos em testes partiam alvos quando não varavam rochas densamente sólidas.

     Alguns Druidas Lianks de Fidirium, envenenavam as flechas, dardos, archotes com toxinas insanáveis; as damas desta província, elaboravam fármacos anabolizantes a fim de proverem o vigor e o ânimo que carecia os menos destros na arte da guerra, além de prover na alimentação das montarias meios de fortificarem suas constituições.

     Aquelas sete centúrias que seguiram Lydia, que representavam a força de Aquilarium, além de produzirem miríades de feixes de flechas, estocando inúmeras aljavas, também se puseram a prestar treinamento aos jovens iniciados na arte da guerra, o que faziam com admirável eficácia.

     A infantaria de Arkoudarium juntamente com a de Liontarium armavam centenas de jardas de piquetes contra assalto, escavavam trincheiras e cavavam foças as quais cobriam com relva, minando todo campo que se previa percurso do inimigo, tanto no afã de retardar seu avanço quanto para servir em possível contra-ataque.

     As guildas de ferreiros e armeiros de todo império uniram-se sob o mesmo propósito, de produzir armaduras e armas para todo cidadão ou estrangeiro capaz de combater. Da mesma sorte, todos da guilda de artifícios e engenhos, contribuíram provendo com a força bélica, produzindo aos múltiplos, armas de defesas, como balestras e seus archotes, balistas e seus arpões, além de toda sorte de catapultas, como onagros, manganelas e trabucos, municiados com esferas a combustível ou a pólvora para efusão e difusão de chamas.

     Os cavaleiros, empunharam tantos as armas quantos cingiram-se com as armaduras Élficas, de modo que tão somente seu aspecto aspirava magnanimidade além do possível de descrever.

     Nas altas torres de menagem, motas e sentinelas, como atalaias sobre pináculo de todo terraço, os magos da alta ordem dos Druidas invocavam a proteção divina clamando seu favor.


     Assim o fizeram durante sete dias, foi na manhã do oitavo dia, que um mensageiro veio às pressas até o grande acampamento dos Homens do Ocidente, e informou o que já esperavam:

     O inimigo desarmou seu acampamento no limiar leste de Invoer Cvet e avança lento a este rumo.”

     Os homens haviam montando seu acampamento em uma grande fileira convexa que estendia de Walden Tânka até Vuds Pivnak, à leste de Veld Arklys, donde seus flancos a sombra dos bosques postavam-se os arqueiros. Ali, todos já aguardavam preparados para a vinda do inimigo.

     E de pouco a pouco, os homens sentiam o compasso de tremor do solo, ouviram a firme marcha e enfim viram, no longínquo horizonte leste, a horda negra cobrindo seu limiar de ponta a ponta. Vinham como quando transfunde a ferida e se alastra a gangrena, lentamente, preenchendo os imensos prados do oeste de Invoer Cvet.

     Nunca ponderaram nada igual, metade do exército que se valia o inimigo eram composta por feras e bestas nunca outrora vistos entre os homens. Sobre as cabeças do hediondo exército montado em Wargs, uma única fileira de BruxosLichs pairavam com seus cajados no ar, e sobre estes, uma nuvem de pássaros negros revoavam os céus, de modo tão denso e escuro quanto não é possível imaginar.

     A noite e o inferno os seguiam, e os homens desfaleciam em seus ânimos. O desespero abateu seus espíritos, o tênue filamento de esperança que fumegava no recôndito de suas almas, já não mais existia. E frente aquele exército tão aterrador, a ideia da extinção de sua raça sempre remota em seus corações, tornava-se tão certa quanto a própria morte.

    Farkas, Malak e Lydia, lamentavam a ausência de seu Capitão, pois seu ínfimo vigor o encarcerava, inoperável para o pleito.

    Farkas, recordando-se dele, disse aos seus: “Se ele estivesse aqui, a morte seria um prazer em ser experimentada, pois não apeteço honra maior que morrer ao lado de todos vós!”

    Malak, sorria como quem vê uma esperança em breve ser lograda: “Se vivos ou mortos, decerto ele terá inveja da magna batalha que havemos de pleitear!” – E riu com lágrimas em seus olhos.

    Lydia, completou com lamúria, como quem fala a ausência: “O honraremos, nosso Capitão! Sei que há de ter essa certeza!”

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