Houve um concilio entre os principais da cidade, e para o colóquio fora convocado todos os Sábios de Arkinarium a fim de discorrerem sobre o decurso de investimentos necessários para consolidação e avanço do reino.
Naquele dia, Timas fora convidado a somar como um dos membros que compunha o alto conselho, isto se devia pelo reconhecimento de sua dedicação e sagacidade na arte da lógica, o qual era de admirável maestria, pois no ponderamento das causas previa mediante cálculos o efeito em potencial e suas probabilidades, essa capacidade era tão precisa que todos o tomavam-no por dotado, e isto, o tornava-o muito prezado, precioso, caro e útil aos Sábios. Diante o distinto convite de tão elevada natureza, considerou afronta recusá-lo, e aceitou alegremente ser contado no conselho.
Quando Zimas, seu irmão, tomou ciência do ocorrido e da graça que envolvera Timas, consumiu-se de malévola inveja, e acometido de tal vil desgraça arquitetou um fratricídio.
A reunião durara sete dias, e após resolução das pautas propostas, Timas retornou a sua casa. Zimas convocou seu irmão para os campos, sob o pretexto de suposta curiosidade a respeito do que fora discutido, e Timas inocentemente com seu irmão caminhou, e ali, sob a sombra dos carvalhos à leste da cidade, Zimas o matou, e o céu tornou-se triste. Alguns dias depois encontraram o corpo do saudoso jovem. E houve longo lamento e luto na cidade, os Sábios choravam dolorosamente, e Zatani estava inconsolável.
O primeiro homicídio foi assim cunhado na história dos Homens em Corlignum, a semente maligna fora plantada, a sombra adentrou os portões de Arkinarium e desde então laborou contra os bons.
Da perícia dos caçadores, intendência das atalaias e o testemunho de alguns infantes, o nome de Zimas fora acusado como suspeito, Zatani pendia a loucura em desespero, o “Código Didaken” — a vigente lei dos homens de além-mar — fora invocada, o investigado convocado, e ali, diante o Rei, os Sábios e os principais, pôs-se a confessar em palavras de remorso, porém, isento de lagrimas e num tom frio:
“Sim, uma parte de mim não vive mais, e eu a matei; privei o mundo de um homem mais digno que eu de vida; me arrependo, mas não recorro a vosso perdão, julguem-me como justo vos parecer.” — Zatani se deita ao solo frente à própria cadeira, e vaga um olhar sem destino. A sentença é proferida por Setrum, o Decano:
“O preço do sangue, é o sangue; o custo da vida, é a vida; a paga da morte, é a morte; da terra o sangue de seu irmão clama ao uno por justiça!” — Alçando da cátedra, recita em tom solene:
“Pela autoridade a mim investida, a ti seja dada o que enredou a si mesmo: Pena de morte! Por execução em forca!” — De súbito, o berro de Zatani fora por breve afogado em lágrimas e soluços de amargo choro; Zimas foi levado, a lamúria dos Sábios ecoou pelo palácio à dor de Zatani.
Na forca, a multidão se reunia ao derredor do palanque, e enquanto a corda era enlaçada ao pescoço do condenado, este se deu a oportunidade de direcionar suas últimas palavras a seu filho, Kahi, que assistia assustado, dizendo:
“Ensinei a ti o que não deves ser: alguém como eu... perdoe-me!” — A comporta sob os pés foi aberta e num solavanco... Zimas expirou. Zatani, em gritos negando a realidade, clamava:
“Porque foi me dado se haveria de ser tirado!? Morte a minha semente é morte para mim! Partiram, mas eu os seguirei!” — Perturbado, isto repetia desesperadamente, aflito em tristeza atroz cegou-se a sensatez e num relapso de loucura, suicidou-se, lançando-se do “Planalto das Casas” sobre o veloz rio Sanguine, fora assim que o mais jovem dos Dodeka encerrou a vida.
E Kahi, quando percebera a desgraça que lhe abraçou a casa, em secreto culpou o conselho de favoritismo e mau juízo. E assim, no recôndito de seu coração enclausurava ódio e ira contra os principais.


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