Ora, por breve tempo, deter-nos-emos a relatar sobre a magnificência daquilo que foi e haveria de ser se a paz permanecesse, a mais valiosa de nossas obras, a Universidade Arkin. Esta era o edifício-mor, o sumo palácio, o coração de Arkinarium, fonte de nosso progresso, mina de todo saber, mãe dos letrados, tesouro do reino e despenseira de uma graça imperecível: o conhecimento.
Ali era o leito dos sábios, residência de doutos e acadêmicos, habitação de estudantes e aprendizes e lar de todo inquiridor e mestre. Nela aperfeiçoava-se todo dom, pois todos os dotados a serviam ministrando cada aluno segundo o pendor destes, os quais, quando manifestavam seus talentos, eram de pronto lapidados em suas orientações.
Assim, escolhiam ou eram designados, havia “As Sete Artes de Saberes”, também chamadas “Casas”, e cada aluno era direcionado a alguma conforme o dom que possuía. Cada “Casa”, por sua vez, dividia-se em duas vertentes que comungavam a mesma fonte, e estas eram chamadas de “Famílias”, das quais os alunos tinham por escolher de acordo com a vocação que lhes inclinava.
A segunda “Casa”, Saluta, dividia-se entre as famílias da “Medicina” e da “Botânica”. Desta arte vieram os pais de Fidirium a posteriori.
A terceira “Casa”, chamada Mística, legada pelos Elfos, era composta por “Alquimia”, da qual Kahi se destacou; e “Astronomia”, na qual Havad fora ministrado.
A quarta “Casa” era Aritma, donde oferecia a “Engenharia” e a “Arquitetura”, tanto de edificações, naus ou bélicas (somada após a vinda dos Elfos). Estes admiravelmente hábeis contribuíram posteriormente para a fundação de cidades e projetaram artifícios extremamente decisivos, dos quais mudaram cursos de batalhas que viriam.
A quinta “Casa” era a alegre Saltera, a qual por vezes também não deixava de ser melancólica; dela vinham os “Músicos” e os “Poetas”; e contou com a participação de venturosos bardos, flibusteiros e até ilustres vates como Lavid e Ieremás. Nesta, ensinavam a aferição e domínio em toda sorte de instrumentos como também a harmonização melódica das prosas.
A sexta “Casa”, Eruta, tinha a família de “Letras”, os quais, além de tornarem-se hábeis linguistas, também se punham ao estimado ofício da transcrição, atribuindo-se assim títulos como “Cronistas” e “Escribas”. A segunda família desta casa era da “Retórica”, estes por sua vez, versavam-se em oratórias, homilias e dialéticas; organizavam debates a fim de exporem resoluções de supostas objeções e inspiravam ânimos com admiráveis discursos.
A sétima e última “Casa” era Públia, sua primeira família era o “Comércio”. Nesta ensinavam as técnicas de permutação e convivência. E sua segunda família era a “Navegação”, para os aventureiros em sua maioria, esta encarregava-se de capacitar o aprendiz na leitura e administração de instrumentos náuticos, como a bússola, o astrolábio, a balestilha e o quadrante. Desta família, posteriormente, vieram os guias de nossa fuga para o norte e desta casa foram os pais de Aquilarium.


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