Prophetheia - Capítulo VIII

    Em direção ao poente, Malak seguia sobre a trilha que cortava o descampado das terras do oeste, com ímpeto resoluto cavalgava acompanhado da noite à sua retaguarda, nas proximidades do sopé de Darastrix Verthicha, de súbito e do breu, um dardo Órquico enterrou-se em seu ombro direito, o impacto com força abrupta derrocou-o ao solo, e aos gritos Malak agonizava enquanto o denso veneno instilava em seu sangue, ao derredor da ferida a carne enegrecia rapidamente causando dor atroz.

    Enquanto Malak fitava os olhos na direção de onde viera a flecha, da neblina revelava-se a figura de uma criatura montada, e então, esta, aproximando-se lentamente manifestou-se, o autor do disparo, era um Orc de maligno olhar com um malicioso sorriso, montado sobre um Warg de aspecto tão abominável quanto quem o montava, o Orc com grunhidos incitava a fera a devorar o que considerava por presa; Malak em desespero de salvar-se atirou sua adaga na criatura, porém esta, desviando-se do tentame debochava do intento, quando já se encontrava a dez passos do abatido cavaleiro, ouviu-se um par de uivos não muito distante deles, o Warg desnorteou-se perturbado e o Orc discorria o olhar ao redor inquirindo com temor de onde viria a ameaça; e num átimo, das rochas pularam sobre o Orc, um grande lobo negro, e seguido deste, um lobo branco, de mesmo porte, o qual pleiteou contra Warg, ambos lobos tinham por alvo as gargantas de suas infelizes vítimas, as quais num instante, debateram-se e expiraram, sendo assim vencidas e dilaceradas pelas presas dos canídeos.

    Os lobos se postaram lado a lado e fitaram Malak, em seguida se puseram a caminhar lentamente em direção, ao então, desesperado cavaleiro, que após contemplar o impetuoso ataque, tomava-se de desesperança cogitando o fim horrível que o aguardava; mas por surpresa, os lobos enquanto avançavam transmutaram-se em homens de aspecto bárbaro, eram Animórficos, de natureza licantrópica; estes, diferente do que Malak julgou, se apiedaram da condição do ferido, e prestaram-lhe socorro, o que antes era um Lobo negro, agora era um alto homem castanho de barba cheia e cabelos longos com tranças grossas e vestes rusticas, sobre os ombros haviam um manto de pelos negros como rocha escura, o outro de semelhante aspecto, diferenciava-se pela cor, o Lobo branco agora era um alto homem ruivo de barba cheia trançada e cabelos longos, sobre os ombros deste haviam um manto de pelos alvos como a neve; o Negro ergueu a cabeça de Malak, e o Branco arrancou-lhe a flecha, Malak gritou, e examinaram o ferimento e então disseram: “Que má noite para ti, deve ter feito algo de muito ruim para que a justiça o castigue de forma tão severa”, Malak respondeu ofegante: “Má foi minha vigilância na noite, colho agora o severo castigo de minha negligência”, o Negro informou-o: “A flecha é Órquica, pelo efeito em seu corpo, ela foi embebedada em veneno, lamento, mas não conhecemos cura para isto”, o Branco então sugeriu: “Se desejares, podemos livrar tu da dor pelo alento de uma morte veloz”, Malak respondeu sussurrante: “Há uma cura, Frontida, é uma flor vermelha de pétalas em sinal de cruz, rogo-vos que me prestem este favor, passa facilmente despercebida, mas pode encontra-la sobre toda a terra, concentra-se sob a sombra das densas florestas, nos madeiro das arvores, e nas proximidades das fontes.” Neste instante, de pronto, o branco se pôs a buscar, em forma de lobo se transformou num salto, e desapareceu em um bosque que dali podia ser visto. 

    Malak admirava a lua enquanto seu vigor era drenado e entregava-se aos poucos a desesperança e conformava-se com o que considerou sua sina, o Negro, intentando distrai-lo para desviar-lhe os pensamentos de morte, resolveu se apresentar: “Eu sou Likusgar, o Lobo negro, Capitão dos bárbaros de Licarium, e aquele que viste agora, é meu irmão caçula, Hulfgar, o Lobo branco, Chefe de Licarium”, Malak reflexivo inquiriu com dificuldade: “Ele é chefe e está me servindo?”, Likusgar respondeu: “É o que os verdadeiros lideres fazem, cuidam um dos outros, ele foi achado digno de ser nosso chefe, pelo seu imenso coração.” – ao concluir percebeu que o ferido transtornava-se, e o serviu água pois os lábios de Malak secavam, seu corpo estava febril e tremulava-se; já não conseguia mais falar, nem ouvir. 

    A lua estava alta quando da escura mata surgiu o lobo branco, com as flores de rubro escarlate na presa, chegando, entregou-as a Likusgar, que enquanto espremia em suas mãos, comentou olhando para Hulfgar: “Bom cachorrinho, muito bom!”, Hulfgar transfigurou-se em homem e meneou a cabeça desaprovando o comentário; das pétalas emanou uma porção de seiva, a qual foi posta sobre o ferimento, em contato com o sangue esfumeou como fazem as tempera de laminas, os berros de Malak podiam ser ouvidos a uma distância de várias léguas, em breve tempo, a dor se esvaía, e o cavaleiro já suspirava tranquilamente, Likusgar deitou-o a cabeça sobre uma pedra que cobrira com o manto negro enquanto Hulfgar cobriu-lhe o corpo do abatido com seu manto alvo e assim Malak adormeceu. 

    Os irmãos Animórficos transfigurando-se em forma de lobo, para se valerem da audição, do faro e do calor que proporcionava a pelagem, se puseram como guardas vigilantes na escura e fria noite.


    Malak acordou após algumas horas, quando o céu fusco já enrubescia, e ao se levantar, por um momento julgou a memória por sonho, mas quando contemplou os grandes lobos fitando-o assentados – admirados pela veloz recuperação do cita - Malak alçou voz em animo: - Que o Uno lhes farte de gozo e que vossos dias abunde sobre a terra! Devo-lhes a vida nobres bárbaros!”, o Branco, reflexivo, transmutou-se em homem e frente ao viajante juntou os braços para trás, como quem medita, e inqueriu de olhar raso: “Pouco entendemos de suas palavras, quem é Uno?”; Malak sorriu, assentou-se, abriu o alforje, tirou alguma refeição de viajem e partiu para os homens lobos, e antes do mordisco, julgou oportuno responder: “O Uno? – e suspirando vagarosamente de alegre semblante, continuou -  O Uno é quem vos trouxe a mim e trouxe-me a vós, é quem vos soprou o fôlego ao nascerem, e quem vos aguarda após o ultimo suspiro”, o lobo negro, retrucou jocosamente olhando de banda ao irmão: “O veneno deve ter mergulhando a mente deste em desvario, pois diz loucuras” – e perdeu-se em gargalhos, Malak sorriu e meneou a cabeça, e levantando-se, dirigiu-se até donde tinha lançado a adaga no Orc e tomando-a, veio em direção aos irmãos dizendo: “Não tenho por hora ouro, nem presente digno de retribuir vosso socorro, mas tomem essa adaga para vós como sinal de minha gratidão, devo ir, pois a guerra assolará o ocidente e tempo é escasso; se nossas sinas nos unirem nos veremos novamente amigos, se me permitem referir-vos assim”, Likusgar estendeu a mão e respondeu-lhe: “Se pelo ocidente lutas, terás a força de Licarium a seu lado! – e Hulfgar complementou em tom sedento: “É! adoramos boas brigas” – “Aconselho-te – continuou Likusgar a Malak - que atente-se mais a vigilância, essas terras já não são como antes; e quanto ao presente, tomaremos sim como uma dadiva deste Uno que nos informaste, pois se segundo tu, este tal rege o acaso, então, por um propósito é que nossas mãos haverá de empunhá-la” – Malak assentiu com a cabeça, apertou-lhe a mão e virando-se, assoviou, de pronto do bosque relinchou sua montaria, e num instante alçou a sela e continuou a rota dantes interrompida, agora acompanhado com a luz da aurora.

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