Em direção ao poente, Malak seguia sobre a trilha que cortava o descampado das terras do oeste, com ímpeto resoluto cavalgava acompanhado da noite à sua retaguarda, nas proximidades do sopé de Darastrix Verthicha, de súbito e do breu, um dardo Órquico enterrou-se em seu ombro direito, o impacto com força abrupta derrocou-o ao solo, e aos gritos Malak agonizava enquanto o denso veneno instilava em seu sangue, ao derredor da ferida a carne enegrecia rapidamente causando dor atroz.
Os lobos se postaram lado a lado e fitaram Malak, em seguida se puseram a caminhar lentamente em direção, ao então, desesperado cavaleiro, que após contemplar o impetuoso ataque, tomava-se de desesperança cogitando o fim horrível que o aguardava; mas por surpresa, os lobos enquanto avançavam transmutaram-se em homens de aspecto bárbaro, eram Animórficos, de natureza licantrópica; estes, diferente do que Malak julgou, se apiedaram da condição do ferido, e prestaram-lhe socorro, o que antes era um Lobo negro, agora era um alto homem castanho de barba cheia e cabelos longos com tranças grossas e vestes rusticas, sobre os ombros haviam um manto de pelos negros como rocha escura, o outro de semelhante aspecto, diferenciava-se pela cor, o Lobo branco agora era um alto homem ruivo de barba cheia trançada e cabelos longos, sobre os ombros deste haviam um manto de pelos alvos como a neve; o Negro ergueu a cabeça de Malak, e o Branco arrancou-lhe a flecha, Malak gritou, e examinaram o ferimento e então disseram: “Que má noite para ti, deve ter feito algo de muito ruim para que a justiça o castigue de forma tão severa”, Malak respondeu ofegante: “Má foi minha vigilância na noite, colho agora o severo castigo de minha negligência”, o Negro informou-o: “A flecha é Órquica, pelo efeito em seu corpo, ela foi embebedada em veneno, lamento, mas não conhecemos cura para isto”, o Branco então sugeriu: “Se desejares, podemos livrar tu da dor pelo alento de uma morte veloz”, Malak respondeu sussurrante: “Há uma cura, Frontida, é uma flor vermelha de pétalas em sinal de cruz, rogo-vos que me prestem este favor, passa facilmente despercebida, mas pode encontra-la sobre toda a terra, concentra-se sob a sombra das densas florestas, nos madeiro das arvores, e nas proximidades das fontes.” Neste instante, de pronto, o branco se pôs a buscar, em forma de lobo se transformou num salto, e desapareceu em um bosque que dali podia ser visto.
Malak admirava a lua enquanto seu vigor era drenado e entregava-se aos poucos a desesperança e conformava-se com o que considerou sua sina, o Negro, intentando distrai-lo para desviar-lhe os pensamentos de morte, resolveu se apresentar: “Eu sou Likusgar, o Lobo negro, Capitão dos bárbaros de Licarium, e aquele que viste agora, é meu irmão caçula, Hulfgar, o Lobo branco, Chefe de Licarium”, Malak reflexivo inquiriu com dificuldade: “Ele é chefe e está me servindo?”, Likusgar respondeu: “É o que os verdadeiros lideres fazem, cuidam um dos outros, ele foi achado digno de ser nosso chefe, pelo seu imenso coração.” – ao concluir percebeu que o ferido transtornava-se, e o serviu água pois os lábios de Malak secavam, seu corpo estava febril e tremulava-se; já não conseguia mais falar, nem ouvir.
A lua estava alta quando da escura mata surgiu o lobo branco, com as flores de rubro escarlate na presa, chegando, entregou-as a Likusgar, que enquanto espremia em suas mãos, comentou olhando para Hulfgar: “Bom cachorrinho, muito bom!”, Hulfgar transfigurou-se em homem e meneou a cabeça desaprovando o comentário; das pétalas emanou uma porção de seiva, a qual foi posta sobre o ferimento, em contato com o sangue esfumeou como fazem as tempera de laminas, os berros de Malak podiam ser ouvidos a uma distância de várias léguas, em breve tempo, a dor se esvaía, e o cavaleiro já suspirava tranquilamente, Likusgar deitou-o a cabeça sobre uma pedra que cobrira com o manto negro enquanto Hulfgar cobriu-lhe o corpo do abatido com seu manto alvo e assim Malak adormeceu.
Os irmãos Animórficos transfigurando-se em forma de lobo, para se valerem da audição, do faro e do calor que proporcionava a pelagem, se puseram como guardas vigilantes na escura e fria noite.


Nenhum comentário:
Postar um comentário
~ Esta obra se encontra em desenvolvimento, assim sendo, é de prezada valia a opinião dos leitores. Colheremos todas as críticas, desde que tais sejam construtivas, no intuito de proporcionar melhor experiência de leitura. ~