Estrutura

 Sob a ótica de Aristóteles, delineio este prefácio, entrelaçando a ética das "doze virtudes" com os arquétipos dos personagens. Os heróis serão moldados pelos “vícios de deficiência”: Covardia (Medo), Apatia, Baixeza (Indigência), Indolência, Indiferença, Auto-depreciação, Broncura, Contenciosidade, Imprudência, Prepotência. Cada um carregará uma dessas corrupções, destacando suas falhas humanas. Em contraponto, os vilões serão forjados pelos excessos, personificando a exata manifestação do pecado: Arrogância, Vulgaridade, Crueldade, Soberba, Ambição, Chocarreiros, Bajulação, Inveja, Traição, Infidelidade.

A obra buscará o "meio-termo áureo das doze virtudes", desenvolvendo tais qualidades nos heróis, que, ao longo de suas jornadas, serão aperfeiçoados até atingirem a medida de caráter perfeito (Glorificação da natureza). Assim, os protagonistas se revestirão de: Coragem, Moderação, Magnificência, Empatia, Diligência, Cortesia, Honestidade, Sabedoria, Pacificação, Modéstia, Afabilidade e Resolução. Estas virtudes guiarão seus atos, em consonância com a cosmovisão ética aristotélica.

Simultaneamente, a estrutura narrativa se alicerça no desenvolvimento bíblico dos relatos, seguindo a sequência: Perfeição (Criação) - Degeneração (Queda) - Sacrifício (Preço) - Restauração (Conquista) - Glorificação (Perfeição). Em termos técnicos, a obra se constituirá de Cosmogonia, Hamartiologia, Soteriologia e Escatologia, cada dispensação exaltando o respectivo equivalente ao ato que descreve o episódio.

No livro 1, "O Princípio", a narrativa exalta o gozo da chegada dos primeiros homens na Corlignum, marcando o momento da Criação. A esperança na construção de Arkinarium surge como uma nova etapa da Criação, enquanto a lealdade da irmandade no desenvolvimento da cidade reflete a perfeição almejada. A magnificência da grandeza alcançada é celebrada, mas o orgulho proveniente do estado de glória leva à exaltação excessiva. Essa soberba suscita ambição e incita a busca pelo poder, culminando na Queda. A traição e o fratricídio, frutos do desejo desordenado de poder, aceleram a ruína e a desgraça total do reino dos homens, marcando a depravação. A desesperança toma conta durante a reconstrução de Arkinarium, conduzindo à degeneração, e o choro pela partida dos últimos homens da Corlignum encerra este ciclo de degradação.

No livro 2, "A Profecia", a ordem quiasmática se estabelece com o ódio dos inimigos, que impele os homens a prosperarem através do combate. A ira dos inimigos incita-os a montar o cerco, enquanto o medo encoraja os homens a revidarem. A coragem pela vitória do contra-ataque anima-os à reconquista, e a ira dos homens pelos inimigos incita novos cercos. Finalmente, o ódio dos homens pelos inimigos estimula a vitória final, encerrando este ciclo de confronto e recuperação.

Deste modo, a narrativa, embasada em profundas tradições filosóficas e teológicas, promete guiar o leitor por uma jornada de autoconhecimento e transformação, onde heróis e vilões se enfrentam não apenas em campos de batalha, mas nas profundezas de suas próprias almas.

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